Hamas aceita Estado palestino nas fronteiras de 1967 sem reconhecer Israel

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Jerusalém, 1 mai (EFE).- O movimento de resistência islâmica Hamas afirmou nesta segunda-feira que aceitará a criação de um Estado palestino nas fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias de 1967, sem que isso represente o reconhecimento do Estado de Israel, segundo um documento publicado nesta segunda-feira em seu site.

O denominado Documento Político de Renovação inclui uma cláusula segundo a qual, a partir de agora, e em concordância com outras facções palestinas, o Hamas estaria disposto à criação de um estado no território reconhecido aos palestinos pela comunidade internacional.

Segundo a fonte, este fato não significa também uma renúncia à Palestina histórica.

"O Hamas acredita que nenhuma parte da terra de Palestina será comprometida ou concedida, independentemente das causas, das circunstâncias e das pressões, e não importa quanto tempo dure a ocupação", afirma o documento, em alusão à presença de Israel na região.

O documento também "rejeita qualquer alternativa à completa liberdade da Palestina, desde o rio (Jordão) até o mar" (Mediterrâneo), o que em princípio significa a aspiração a toda a Palestina histórica, incluindo o território, reconhecido pela comunidade internacional, onde hoje se assenta Israel.

"No entanto, sem comprometer sua rejeição à entidade sionista (Israel) e sem renunciar aos direitos dos palestinos, o Hamas considera o estabelecimento de um Estado palestino plenamente soberano e independente, com Jerusalém como capital nas linhas de 4 de junho de 1967", acrescenta o documento.

O conteúdo do documento, com o qual Hamas quer atualizar sua ideologia e compromissos 30 anos depois de sua fundação, foi informado pelo chefe do movimento, Khaled Meshal, em uma coletiva de imprensa em Doha.

Nele se expõe, além disso, que, independentemente da aceitação de um Estado nas fronteiras de 1967, "os refugiados e os deslocados devem retornar aos lares dos quais foram expulsos", uma possibilidade que Israel rejeita pelo desequilíbrio demográfico que representaria.

Trata-se dos refugiados que saíram para o exílio nas guerras de 1948, que Israel considera sua guerra de independência após a rejeição árabe ao Plano de Partilha da ONU para Palestina, e a de 1967 ou dos Seis Dias.

Hoje superam cinco milhões de pessoas, segundo as estatísticas da UNRWA, a agência da ONU que se encarrega deles por todo Oriente Médio.

O discurso de Meshal coincidiu precisamente com o início em Israel dos festejos pelo dia da independência, que se comemora no país no dia 5 do mês hebreu de Iyar, que em 1948 coincidiu com 14 de maio.

Devido às comemorações, Israel não respondeu ainda oficialmente ao novo documento, mas o ex-subdiretor do Ministério de Assuntos Estratégicos, Kobi Michael, o considerou uma "maquiagem".

"É mais uma espécie de maquiagem que uma mudança real na atitude do Hamas e, finalmente, acredito que é muito barulho por nada", disse o agora pesquisador do Instituto de Segurança Nacional e Estratégia, com sede em Tel Aviv, em declarações gravadas e divulgadas por uma ONG local.

Nesse sentido, Meshal reforçou na coletiva de imprensa que "o Hamas se opõe a qualquer plano que ofereça um lar nacional alternativo" aos palestinos, e que o grupo "não cederá nenhuma parcela de terra palestina e continuará aspirando libertar todas as terras".

Também destacou que "a luta do Hamas não é com os judeus ou sua confissão (religiosa), mas contra o sionismo e suas agressões".

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