May se desvincula das críticas na UE sobre reunião com Juncker

Londres, 1 mai (EFE).- A primeira-ministra do Reino Unido, a conservadora Theresa May, "não reconhece" a descrição que tem sido feita em Bruxelas de sua reunião na última quarta-feira em Londres com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e o negociador comunitário Michel Barnier, disse nesta segunda-feira seu porta-voz.

May não se identifica com o relato dessa reunião, que foi publicado hoje pelo jornal alemão "Frankfurter Allgemeine Zeitung" e que foi veiculado ontem pelo britânico "The Sunday Times", assegurando que a premiê e os dois enviados da União Europeia (UE) discordaram sobre vários aspectos do Brexit.

"Como a primeira-ministra e Jean-Claude Juncker deixaram claro, foi uma reunião construtiva, prévia ao início formal das negociações", assegurou o porta-voz da chefe do governo britânico.

Segundo o relato do jornal alemão, Juncker disse após a reunião de 26 de abril: "Saio de Downing Street (a residência oficial da premiê) dez vezes mais cético do que estava".

O "Sunday Times" explicou ontem que Juncker e Barnier ficaram assustados com as exigências feitas por May nesse encontro, destinado a aplainar o terreno para a negociação que começará depois das eleições britânicas de 8 de junho.

Segundo o "Sunday Times", a primeira-ministra e seus interlocutores discordaram sobre as fases da negociação aprovadas pela UE, que querem negociar o custo da saída do Reino Unido antes de discutir um futuro acordo comercial bilateral, e também sobre o futuro status legal dos cidadãos comunitários que vivem e trabalham em território britânico.

Depois da reunião em Londres, Juncker teria supostamente dito à chanceler alemã, Angela Merkel, que May estava "enganada" e que vivia "em outra galáxia". Em seguida, a chefe de governo da Alemanha afirmou em seu país que "alguns criam ilusões no Reino Unido" sobre os parâmetros da negociação.

Respondendo à acusação de que não está em sintonia com a UE, May declarou ontem no Programa de Andrew Marr da BBC: "Não estou em uma galáxia diferente".

"O que isto demonstra, bem como outros comentários procedentes de líderes europeus, é que haverá momentos em que estas negociações serão difíceis", afirmou a premiê.

"Por isso, é necessário uma liderança forte e estável para fazer essas negociações e obter o melhor acordo" para o país, comentou May, enquanto reiterava seu já conhecido slogan eleitoral.

A suposta falta de sintonia entre Londres e Bruxelas foi criticada hoje pelos representantes da oposição no Reino Unido, que também estão na pré-campanha eleitoral.

O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, opinou que May deveria tratar as reuniões com "respeito" e com base em "valores compartilhados", o que tornaria um acordo benéfico "mais provável".

"Se você começa com um megafone, intimidando as pessoas, isto não é um bom começo para nada", afirmou o político trabalhista.

O porta-voz sobre o Brexit desse mesmo partido, Keir Starmer, acusou May de adotar "um enfoque duro e autocomplacente", enquanto o dirigente liberal democrata, Tom Farron, disse que este governo "não tem ideia" do que está fazendo.

Em relação às eleições gerais, May enfrenta o desafio de gerenciar as complicadas relações com Bruxelas, enquanto tenta convencer o eleitorado britânico de que é a melhor candidata para conduzir as negociações com o bloco.

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