ONU: aumentam riscos enfrentados por ativistas e jornalistas na A.Latina

Isabel Saco.

Genebra, 1 mai (EFE). - Os defensores dos direitos humanos e jornalistas enfrentam riscos crescentes na América Latina, onde os assassinatos e ataques contra eles estão aumentando e desenhando um panorama sombrio na região, conforme dados publicados nesta segunda-feira pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Em entrevista coletiva para abordar as situações mais preocupantes, o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein, falou claramente dos casos de México, Brasil, Colômbia, Venezuela e Honduras.

Do Brasil, Zeid denunciou o aumento dos ataques contra ativistas vinculados à luta pela terra e seus recursos, particularmente nos estados do Pará e do Mato Grosso.

"O governo deve fazer mais para lutar contra a impunidade que parece existir de crimes violentos contra os que defendem os direitos humanos", disse ele, reconhecendo que a crise política e social pode estar tendo efeitos corrosivos nesse aspecto.

O caso da Venezuela gerou várias perguntas e comentários de Zeid, que enfatizou que o caminho escolhido pelo governo - o de "reprimir as vozes dissidentes" -, não resolverá a agitação que reina há um mês nas ruas, nem acalmará os protestos.

O Escritório de Direitos Humanos da ONU não tem acesso algum a Venezuela, mesmo já tendo solicitado várias vezes ao governo vistos para que seus especialistas possam viajar ao país para avaliar diretamente as condições de direitos humanos. A última solicitação foi feita em outubro, sem qualquer resultado, e Zeid não quis comentar nas últimas semanas se insistiu com o governo do presidente Nicolás Maduro para obter este acesso ou se o Executivo em Caracas simplesmente ignora os apelos.

As missões de avaliação e vigilância nos países em crise são a ferramenta que permite a ONU entender melhor e lançar alertas para evitar que os Estados entrem em uma espiral de violência política, de onde é muito difícil sair depois.

Sobre o México, o alto comissário disse que os assassinatos de jornalistas e defensores dos direitos humanos continuam acontecendo. Segundo ele, é possível acreditar que grande maioria ficará impune se a situação não mudar.

"Somente 6% dos homicídios são solucionados, o que evidencia uma brecha de impunidade enorme que deve ser resolvida", ressaltou.

No caso da Colômbia, que com o acordo de paz fechado no ano passado com a guerrilha das FARC deu a melhor notícia à região em termos de direitos humanos e segurança, ele diminuiu certas expetativas ao indicar que 41 ativistas foram assassinados nos quatro primeiros meses do ano, o que aponta uma tendência alarmante. Segundo os dados reunidos pela entidade da ONU, os ataques parecem acontecer em áreas abandonadas pelas FARC como resultado do acordo de paz, o que poderia ser prejudicial se o atual ciclo de violência contra os defensores dos direitos humanos não for interrompido.

De maneira sucinta, mas clara, Zeid falou do caso de Honduras. Embora não tenha dado detalhes, garantiu que a violência contra os ativistas hondurenhos continua e se concentra nas áreas rurais, o que preocupa muito a ONU.

Ao analisar outras situações alarmante no mundo, o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos mencionou a fome que ameaça o Iêmen e o Sudão do Sul em curtíssimo prazo se os conflitos em ambos os países não acabarem e as violações dos direitos da população por causa da violência armada não forem suspensas.

O período crucial que a Europa enfrenta em termos políticos, em parte pelo aumento da xenofobia e dos espaços conseguidos pelos movimentos de extrema direita, também foi discutido por ele, que prometeu não parar de fazer denúncias de "linguagens incendiárias" e dos discursos "que culpam os imigrantes ilegais e os refugiados de todos os males".

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