Odebrecht pode ser investigada por financiar campanha na República Dominicana

Santo Domingo, 2 mai (EFE).- Organizações da sociedade civil da República ominicana interpuseram hoje perante a Procuradoria Geral da República uma denúncia na que solicitam uma investigação para determinar se a construtora brasileira Odebrecht financiou a campanha eleitoral do presidente do país, Danilo Medina, em 2012.

As entidades, entre elas a Participação Cidadã (PC), afiliada da ONG Transparência Internacional, também pediram que a empreiteira seja investigada para que seja descoberto se deu dinheiro para a modificação da Constituição, que em 2015 permitiu a reintrodução da figura da reeleição, que Medina conseguiu nas eleições de 2016.

Segundo as organizações que fizeram a denúncia, "a dúvida" que as autoridades devem esclarecer é se o Partido da Liberdade Dominicana (PLD) "recebeu verbas da Odebrecht, através das empresas Polis Caribe e Cine&Art2013, ambas de propriedade do publicitário João Santana, como afirmam vários altos funcionários em instâncias judiciais do Brasil".

"Caso se confirme a veracidade das delações premiadas no Brasil desses funcionários, teria sido violada na República Dominicana sua Constituição e também a Convenção Interamericana dos Direitos Humanos, o Código Penal, a Lei Eleitoral e a Lei de Lavagem de Dinheiro", afirmaram as entidades no texto da denúncia.

A Lei Eleitoral, segundo elas, "é clara e reiterativa em tipificar e penalizar o ilícito do uso de fundos estrangeiros em campanhas internas".

Medina negou em 8 de março ter recebido dinheiro da Odebrecht para financiar sua campanha eleitoral de 2012, que o levou pela primeira vez à presidência.

João Santana, o principal assessor de Medina e que dirigiu campanhas presidenciais no Brasil e em outros países da América Latina e da África, foi condenado em fevereiro a oito anos de prisão por seus vínculos com a rede de corrupção na Petrobras.

A Odebrecht, que admitiu o pagamento de US$ 92 milhões em propinas para vencer licitações públicas na República Dominicana, fechou um acordo com a Procuradoria do país caribenho mediante o qual terá que revelar quem recebeu esses pagamentos irregulares, além de desembolsar US$ 184 milhões nos próximos oito anos em indenizações.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos