Violência faz MSF suspender apoio médico nos arredores de Damasco

Cairo, 2 mai (EFE).- A Organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciou nesta terça-feira que vai descontinuar seu apoio à região de Ghouta Oriental, nos arredores de Damasco, onde dois hospitais foram atacados durante enfrentamentos entre facções armadas.

Em comunicado, a organização explicou que adotou esta medida "até que sejam dados sinais claros de que as partes em conflito respeitarão as instalações médicas".

A MSF explicou que no sábado 30 milicianos mascarados invadiram o hospital de Haza, em Ghouta Oriental, para resgatar algumas pessoas feridas que estavam internadas no local, e levaram uma ambulância. A alguns quilômetros dali, outro centro médico, em Aftiris, foi alvo de disparos por dois dias por conta dos enfrentamentos em seus arredores, e a equipe médica ficou encurralada.

A organização resultou que foi impossível recuperar os feridos, inclusive aqueles que estavam nas proximidades do lugar.

A ONG indicou que as informações que recebeu dos médicos no local denunciam "graves incidentes" entre 29 e 30 de abril, quando grupos armados opositores não mostraram qualquer consideração pela situação dos pacientes, as instalações e sua equipe.

"Em nome dos médicos que apoiamos, a MSF condena nos termos mais enérgicos a incursão armada a um centro de saúde por parte de pessoas mascaradas, a intimidação dos trabalhadores e a captura de uma ambulância", disse a diretora de Operações da MSF para a Síria, Brice de la Vigne.

Ela afirmou que a MSF está em contato com as facções que operam em Ghouta Oriental para transmitir suas demandas e sua decisão de suspender o apoio na região. Entre as exigências estão: deixar doentes e feridos fora do conflito; permitir a evacuação de pacientes e médicos; facilitar o transporte sanitário; impedir que as instalações de saúde sejam usadas com fins militares e que nenhuma arma ou pessoa armada entre em hospitais.

De acordo com a organização, o conflito entre grupos armados opositores explodiu na sexta-feira passada em Ghouta Oriental, que é assediada pelas forças governamentais sírias desde 2013.

A MSF pediu a todas as facções da Síria que respeitem as instalações médicas e os pacientes, o que significa evitar disparos e bombardeios, incursões armadas, intimidação de médicos, roubo de ambulâncias e de materiais nos hospitais, e detenções ou sequestros de feridos e doentes em tratamento.

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