Destacado advogado chinês desaparece após ser libertado pela Justiça

Pequim, 3 mai (EFE).- O advogado chinês Li Heping, célebre defensor de ativistas e dissidentes, permanece desaparecido desde que foi libertado pela Justiça na semana passada, após permanecer mais de um ano detido, denunciou nesta quarta-feira à Agência Efe sua mulher, Wang Qiaoling.

A Justiça chinesa declarou Li culpado de "subversão", mas sua condenação a três anos de prisão foi suspensa durante quatro anos, o que na prática significa que o advogado não deveria ser preso se não infringisse a lei no tempo estabelecido pelos tribunais.

"Segundo a lei chinesa, meu marido deveria ter voltado para casa no mesmo dia em que foi anunciada a sentença (...) Agora onde está? Não sei, mas tenho certeza de que está nas mãos da polícia", indicou à Efe a esposa.

Kit Chan, diretora executiva do grupo China Human Rights Lawyers Concern Group (CHRLCG), explica que aqueles que supostamente são libertados "pagando fiança" ou após receber "penas suspensas" não recuperam automaticamente sua liberdade.

"Não é raro que as autoridades os retenham - e, frequentemente, a família inteira - sob uma estrita vigilância em um lugar remoto durante um período de tempo indeterminado", explicou à Efe.

Outros advogados e ativistas que também foram detidos na onda de detenções empreendida pelas autoridades contra este coletivo no verão de 2015 estão na mesma situação, acrescentou.

Neste caso, Chan acredita que o Governo chinês quer evitar que Li ou sua família tenham voz.

"O julgamento foi secreto, sem a presença de advogados de Li ou de sua família. Há muitas perguntas para responder sobre sua condenação", aponta.

A esposa de Li concorda. "O Governo não libera os advogados por medo de que revelem as torturas (que sofreram) e os delitos que as autoridades cometeram contra eles", sustenta Wang.

A organização CHRLCG denunciou neste ano que advogados como Li Heping tinham sofrido "vários tipos de tortura" durante a detenção, pouco depois que outro advogado detido, Xie Yang, assegurou ter sido vítima de graves abusos psicológicos e físicos sob as mesmas circunstâncias.

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