EUA afirmam que separarão política exterior de valores quando for preciso

Washington, 3 mai (EFE).- O secretário de Estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson, afirmou nesta quarta-feira que, quando for necessário, o governo de Donald Trump separará suas políticas internacionais da defesa de valores, como o respeito aos direitos humanos, e não condicionará suas relações à exigência de que essas liberdades sejam respeitadas.

Em uma tentativa de definir a doutrina de "Estados Unidos primeiro" articulada por Trump desde sua campanha eleitoral, seu titular de Relações Exteriores deixou claro que a prioridade absoluta do novo governo é garantir a "segurança nacional" de seu país, e os demais objetivos devem ser complementares.

"Em algumas circunstâncias, se condicionarmos nossos esforços de segurança nacional a que alguém adote nossos valores, provavelmente não poderemos alcançar nossos objetivos ou interesses de segurança nacional", declarou Tillerson em um discurso aos funcionários do Departamento de Estado.

"Isso não significa que deixaremos esses valores de lado (...). Sempre os levaremos em conta. Mas acredito que é importante que entendamos a diferença entre política e valores", acrescentou.

Suas declarações acontecem depois que Trump foi criticado por legisladores e ativistas de direitos humanos por ter convidado à Casa Branca o presidente filipino, Rodrigo Duterte, apesar da polêmica "guerra antidroga" lançada por esse governante, que deixou mais de 7.000 mortos nas Filipinas.

Trump também parece ter deixado de lado as preocupações sobre direitos humanos em sua aproximação com os presidentes do Egito, Abdel Fatah al Sisi; e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan; com o objetivo de fazer com que esses líderes possam contribuir a algumas de suas prioridades, como a luta contra o terrorismo.

O secretário de Estado tentou também definir a doutrina de Trump em matéria de política exterior, que até agora oscilou entre o militarismo e o isolacionismo.

"O enfoque de 'Estados Unidos primeiro' significa que devemos fazer com que o país tenha segurança. Devemos proteger nossa gente. Devemos proteger nossas fronteiras. Devemos proteger nossa capacidade de ser essa voz de nossos valores agora e para sempre", detalhou Tillerson.

"E só podemos fazer isso com prosperidade econômica. Portanto, nossa política exterior está projetada com uma forte capacidade de garantir a proteção de nossas liberdades mediante um exército forte. É importante falar de uma posição de força, não ameaçadora, mas de força", acrescentou.

Tillerson justificou assim perante seus funcionários a decisão de Trump de aumentar o orçamento para Defesa e recortar drasticamente os fundos do Departamento de Estado, além de prescindir de 2.300 dos 75.000 empregados que essa agência diplomática tem em todo o mundo.

"Sei que uma mudança assim é muito estressante para muita gente. Não é nada fácil, e não quero diminuir de nenhuma forma os desafios que sei que isto apresenta para as pessoas, para as famílias e as organizações", ressaltou o titular de Exteriores.

Tillerson enviou nesta terça-feira uma carta aos funcionários da agência na qual lhes pedia para fazer sugestões e comentários em relação ao corte previsto de 26% nos fundos para o Departamento de Estado e a redução de seu pessoal.

"Selecionamos 300 indivíduos para entrevistá-los cara a cara e entender melhor as coisas", explicou Tillerson sobre o processo de consulta, que será completado com uma pesquisa pela internet na qual os funcionários poderão expor suas preocupações.

"O que posso prometer é que, quando isto acabar, os senhores vão ter uma carreira mais satisfatória e enriquecedora, porque vão sentir-se melhor com o que estão fazendo ", concluiu.

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