ONU alerta que 50 mil civis estão sob fogo cruzado no Sudão do Sul

Genebra, 4 mar (EFE).- O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad al Hussein, alertou nesta quinta-feira que entre 35 e 50 mil deslocados estão sob fogo cruzado entre o exército do Sudão do Sul e uma milícia opositora na cidade de Aburoc, no norte do país, e pediu o fim dos combates na região.

A maioria dos civis foi obrigada a fugir a pé por mais de 150 quilômetros das localidades de Tonga e Kodok, que foram atacadas pelo exército do Sudão do Sul, que foi criado a partir da milícia separatista conhecida como Exército Popular para a Libertação do Sudão (SPLA, sigla em inglês).

"Muitas pessoas que fugiram morreram por desidratação e esgotamento físico, enquanto o restante acabou em Aburoc onde, agora, assustados e exaustos, enfrentam outra vez a violência e a falta de comida, água e serviços básicos", explicou o alto comissário em um comunicado.

Aburoc é uma cidade situada na região fronteiriça do Alto Nilo, controlada por milicianos opositores do Movimento de Libertação Popular do Sudão (SPLM, sigla em inglês), e que agora enfrenta uma ofensiva militar por parte das forças armadas do país.

"Os civis em Aburoc estão em risco iminente e sério de sofrerem graves violações de seus direitos humanos", alertou Zeid.

O diplomata jordaniano mostrou sua preocupação pelo iminente ataque e lamentou que este possa desembocar em uma onda de violência étnica, já que o exército do Sudão do Sul incluiu novos recrutas da etnia majoritária dinka, que está em conflito com a tribo dos shilluk, à qual pertencem a maioria das pessoas que estão sob fogo cruzado.

"Esses homens, mulheres e crianças estão à mercê dos militares de ambos os lados da frente de combate, que demonstraram em repetidas ocasiões que não têm consideração alguma pela vida e pela proteção dos civis", assegurou Zeid.

Por isso, o alto comissário da ONU pediu ao governo do Sudão do Sul e à milícia opositora que declarem um cessar-fogo para acabar com o conflito interno, que começou em 2013, quando o presidente, da etnia dinka, denunciou uma tentativa de golpe de Estado por parte de seu vice-presidente, que pertence à tribo nuer.

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