Acordo sobre áreas seguras na Síria entra em vigor à meia-noite de hoje

Moscou, 5 mai (EFE).- O acordo sobre a criação de quatro áreas seguras na Síria, assinado ontem pelos três fiadores do cessar-fogo nesse país (Rússia, Turquia e Irã), entrará em vigor à meia-noite desta sexta-feira, segundo anunciou o Ministério de Defesa russo.

O agrupamento militar russo presente na Síria cessou toda atividade de combate nessas quatro "zonas de redução da tensão" já no dia 1º de maio, informou o chefe de Operações do Estado-Maior russo, Serguei Rudskoi.

O acordo para a criação destas áreas foi alcançado ontem nas negociações que as partes sírias e os países fiadores do cessar-fogo realizam em Astana, capital do Cazaquistão.

Após retirar-se das áreas seguras, as tropas sírias e russas se concentrarão em "uma ofensiva ao leste de Palmira, no desbloqueio da cidade de Deir Ez-Zor, cercada há três anos pelos rebeldes, e na libertação dos territórios do nordeste da província de Aleppo", detalhou o general russo.

O chefe militar russo ressaltou que Moscou vigiará o cumprimento do memorando assinado ontem em Astana e não duvidará em disparar contra as forças que violem o acordo.

No caso de violações, será realizada uma "exaustiva investigação, após a qual se decidirá sobre as medidas a tomar contra os responsáveis, que não excluem o uso de fogo", advertiu o chefe adjunto de Operações do Estado-Maior russo, Serguei Gadzhimagomedov.

Embora as fronteiras exatas das quatro zonas de redução da tensão ainda não tenham sido concretizadas, os países fiadores determinaram que serão criadas na província de Idlib, ao norte da cidade de Homs, em Guta Oriental (província de Damasco) e no sul do país.

A maior área "abrange toda a província de Idlib e parte das províncias fronteiriças: o nordeste de Latakia, o oeste de Aleppo e o norte de Hama, com uma população de mais de um milhão de pessoas", antecipou Rudskoi.

Toda essa área, segundo afirmou, "está controlada por unidades armadas (da oposição) integradas por mais de 14.500 pessoas".

A segunda área, também em poder dos rebeldes, se situa no norte da província de Homs e está habitada por cerca de 180.000 pessoas.

A terceira será desdobrada em Guta Oriental, mas exclui um dos distritos dessa região, "controlado plenamente pelos guerrilheiros da Frente al Nusra que continuamente atacam dali a cidade de Damasco", comentou Rudskoi.

Uma quarta área de redução de tensão será criada no sul do país, nas províncias fronteiriças com a Jordânia.

"Essa área está controlada por unidades da chamada Frente do Sul, integrada por até 15.000 homens. Nessa área vivem até 800.000 civis", concluiu o general russo.

O presidente russo, Vladimir Putin, e seu homólogo cazaque, Nursultan Nazarbayev, expressaram hoje em uma conversa por telefone sua satisfação pelo acordo assinado ontem em Astana, segundo informou o Kremlin.

Os dois dirigentes destacaram que "sua implementação por todas as partes contribuirá para reforçar o regime de cessação de hostilidades e para melhorar a situação humanitária", acrescentou a nota.

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