Ásia, África e América Latina adotam medidas parecidas no combate à fome

Belén Delgado.

Roma, 5 mai (EFE).- Os números variam entre os que passam fome em Ásia, África e América latina, regiões muito diferentes e que têm procurado soluções parecidas para problemas de longo alcance, como a pobreza e a mudança climática.

As aproximadamente 800 milhões de pessoas que continuam sem ter o suficiente para comer estão espalhadas por todo o mundo, mas basicamente nas regiões pobres ou em desenvolvimento.

Na Ásia Pacífico se concentra mais de 60% dessa população, frequentemente sem recursos nem ajuda, e apesar dos esforços para reduzir esse número (o crescimento econômico da China teve muito a ver com isso), as últimas avaliações regionais da ONU indicam que os progressos arrefeceram.

A desnutrição ainda afeta 12% dos habitantes dessa região, cerca 490 milhões de pessoas que vivem em sua maioria no sul da Ásia.

O conselheiro do Governo chinês Xie Jianmin foi direto ao ponto recentemente em uma conferência em Roma: "Se não resolvermos o problema das terras e não protegermos os direitos do produtor, não poderemos solucionar o problema da insegurança alimentar".

A China não hesitou em oferecer assistência técnica e fundos aos países necessitados, com os quais fortaleceu laços comerciais em sua agressiva estratégia de cooperação internacional.

O país encontrou mais parceiros potenciais na África subsaariana, onde a porcentagem de pessoas famintas continua sendo a mais alta: 26% da população maior de 15 anos, cerca de 153 milhões de indivíduos.

O problema ali, segundo um relatório da Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO) da ONU, não é a falta generalizada de alimentos.

A oferta existe, mas muitos africanos não têm como comprá-los e alguns países dependem muito das importações, pelas quais adquirem, por exemplo, até a metade dos cereais que necessitam.

Haladou Salha, conselheiro da União Africana nas agências das Nações Unidas dedicadas à alimentação, destacou a necessidade de criar empregos "atraentes" para os jovens, a cada dia em maior número.

Para construir um futuro, disse, também é preciso "estabilidade" em seus países, embora muitos continuem assolados pela violência, a seca e outros efeitos da mudança climática.

Problemas também vividos no Oriente Médio e no norte da África, onde a fome atinge 30 milhões de pessoas, inclusive refugiados e deslocados internos devido às guerras de Síria, Iraque, Líbia e Iêmen.

"Os reflexos da má nutrição é visível tanto em forma de obesidade nos países do Golfo como de desnutrição no Iêmen", disse o representante do Egito na FAO, Khaled al Taweel.

O diplomata destacou algumas das prioridades que poderiam melhorar a segurança alimentar da região e, por que não, do resto do mundo: a adaptação à mudança climática, a proteção social dos mais pobres, a luta contra as perdas e desperdícios de alimentos e a promoção de modelos de consumo sustentável e menos voltados à venda do exterior.

Uma das medidas mais discutidas foram os programas de alimentação nas escolas a partir de produtos de agricultores locais, como lembrou o embaixador argentino Claudio Rozencwaig.

Na América Latina e Caribe, sustentou Rozencwaig, as políticas públicas dos últimos 15 anos incluíram esse e outros aspetos, como o aumento dos salários através do emprego, as transferências condicionadas de dinheiro aos mais necessitados, a educação nutricional e a intervenção nos preços dos alimentos para evitar sua volatilidade em caso de crise.

Formas "transversais" de combater a pobreza que contribuíram para reduzir para 5,5% a taxa de pessoas desnutridas na região (34,3 milhões), enquanto cresce a preocupação quanto ao sobrepeso, que já atinge mais da metade da população na maioria desses países.

Segundo o especialista da FAO Kostas Stamoulis, tais regiões - cada uma com suas próprias dificuldades - apresentam coincidências no caminho a seguir. E todas elas fazem esforços para promover práticas "inovadoras", proteção social e resistência em relação aos desastres naturais.

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