Conselho de Segurança crê que processo de paz na Colômbia é irreversível

Gonzalo Domínguez Loeda.

La Reforma (Colômbia), 5 mai (EFE).- O Conselho de Segurança da ONU concluiu nesta sexta-feira uma visita de dois dias à Colômbia, a primeira realizada em um país da América Latina, e concluiu que o processo de paz vivido pelo país é irreversível, ratificando o compromisso do órgão com o acordo em relação ao futuro.

A agenda dos representantes do principal órgão de decisão das Nações Unidas começou ontem com uma reunião com o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e vários ministros. E também incluiu encontros com outros atores políticos, da sociedade civil e das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Para concluir a viagem, eles viajaram à zona transitória de normalização de La Reforma, dentro do município de Vistahermosa, no departamento de Meta, na região central do país. No local, 337 dos mais de 7 mil membros das Farc já iniciaram o processo de entrega de armas para voltar à vida em sociedade.

"Somos testemunhas de um processo de paz irreversível, ao qual Conselho de Segurança vai continuar prestando a assistência que for requerida", disse o embaixador uruguaio na ONU, Elbio Roselli.

Além disso, o diplomata uruguaio disse que todas as partes envolvidas estão trabalhando para que as Farc tenham entregado todas suas armas até o próximo dia 1º de junho, cumprindo assim o cronograma previsto no acordo de paz firmado com o governo.

O embaixador do Reino Unido na ONU, Matthew Rycroft, disse que observou um forte compromisso nas duas partes, concordando com a opinião de que o processo de paz é irreversível. No entanto, Rycroft afirmou estar ciente de que há obstáculos e desafios a serem superados, algo comum em um acordo como esse.

No ano passado, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a criação de uma missão para apoiar a verificação do cessar-fogo e a entrega de armas das Farc. Essa missão não só respalda o desarmamento, mas também integra o Mecanismo de Monitoramento e Verificação (MM&V), um órgão que também conta com representantes da guerrilha e do governo.

Durante a visita, os membros do Conselho de Segurança conheceram de perto do trabalho do MM&V, que tem um acampamento instalado no perímetro da zona transitória de normalização de La Reforma.

Eles foram recebidos pela ministra das Relações Exteriores da Colômbia, María Ángela Holguín, pelo Alto Comissário para a Paz, Sergio Jaramillo, e pelo chefe da equipe de negociação das Farc, Luciano Marín Arango.

Arango falou sobre o sequestro de um funcionário da ONU ontem por um grupo de dissidentes das Farc. Identificado como Harley López, o homem foi capturado em Barranquillita, uma localidade remota a duas horas da cidade de Miraflores, no departamento de Guaviare.

"Isso colocou o processo de paz em uma situação bastante difícil. Esperamos e pedimos a esses chefes da dissidência que pensem e coloquem essa pessoa em liberdade", disse Arango.

Os membros do Conselho de Segurança da ONU também ouviram pessoas que vivem próximas à zona transitória de normalização de La Reforma para ouvir as demandas da sociedade civil. Um deles, Simón Caro, disse que teme quem preencherá o vazio de poder deixado pelas Farc.

No entanto, Caro disse estar grato porque os colombianos estão vendo que o processo de paz está dando resultado.

Também houve vozes discordantes. Luis Castro, um líder comunitário da região, disse à Agência Efe que seus vizinhos estão cansados das promessas descumpridas do governo.

Após a visita, Holguín destacou o apoio do Conselho de Segurança e disse acreditar que uma segunda missão da ONU será aprovada. Ela deverá verificar a "segurança coletiva das Farc, assim como a reintegração social, política e econômica dos guerrilheiros".

Por sua vez, Jaramillo ressaltou que os diplomatas da ONU viram o algo que os colombianos por vezes se esquecem: "acabamos com uma guerra".

No total, viajaram à Colômbia 13 dos 15 embaixadores titulares na ONU dos países que formam atualmente o Conselho de Segurança. As exceções foram a representante dos Estados Unidos no órgão, Nikki Haley, que não pode participar da visita por motivos de agenda, e o da Rússia, que está sem representação oficial desde a morte de Vitaly Churkin em fevereiro.

No entanto, os EUA enviaram a diplomata Michele Sison e a Rússia Evgeny Zagaynov.

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