Pyongyang influencia eleições sul-coreanas com testes de mísseis balísticos

Andrés Sánchez Braun.

Seul, 5 mai (EFE).- O desafio nuclear da Coreia do Norte ecoa na campanha eleitoral sul-coreana, tanto pelo problema que seus testes armamentistas representam para a segurança nacional como pelo fato de que o governo resultante será essencial para tentar solucionar a atual crise entre os dois países.

Apesar da enorme atenção gerada pelo caso "Rasputina", que forçou a destituição da presidente Park Geun-hye e a antecipação do calendário eleitoral, a Coreia do Norte passou a figurar no debate para as eleições presidenciais de 9 de maio à base de, literalmente, lançar mísseis, depois que disparou três projéteis em abril e dois desde que começou a campanha, no dia 17.

A guerra entre os dois países (1950-1953) e as ditaduras militares posteriores no Sul começam a ser uma lembrança distante para muitos sul-coreanos, especialmente os jovens, cada vez mais desinteressados, segundo as pesquisas, em uma possível unificação com o país vizinho.

No entanto, a crescente insistência demonstrada por Pyongyang desde 2016 em sua aposta no desenvolvimento de seu programa nuclear e de mísseis, somada à chegada do novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e suas menções a um ataque preventivo, que colocaria em risco milhares de vidas na Coreia do Sul, reviveu os temores dos eleitores em matéria de segurança.

O polêmico escudo antimísseis americano THAAD, desenvolvido para interceptar mísseis norte-coreanos em grande altitude e instalado recentemente em Seongju, no centro do país, se converteu em um dos principais temas da batalha eleitoral.

Por um lado, a aposta inabalável no THAAD do principal candidato da direita, Hong Yoon-pyo, sem dúvida lhe rendeu apoio graças ao que os especialistas chamam de "o vento do Norte", que faz os conservadores - que defendem a linha dura contra Pyongyang - ganharem votos cada vez que a tensão aumenta na península.

Assim, Hong conseguiu reduzir uma grande diferença e empatar em segundo lugar com o centrista Ahn Cheol-soo.

No entanto, é grande o número de sul-coreanos que também questionam o escudo, começando pelos moradores de Seongju, preocupados com a possibilidade de que sua comarca se converta em alvo de ataques norte-coreanos e com os potenciais efeitos de seus potentes radares sobre a saúde.

Muitos consideram que a instalação do escudo ocorreu de maneira precipitada, foi aprovada por um governo deposto por um caso de corrupção e trata-se de um ativo militar americano que contribui para enfurecer o Norte.

Esta é a posição defendida pelo claro favorito para se tornar o novo presidente da Coreia do Sul, o liberal Moon Jae-in, que falou de uma possível retirada do THAAD.

Além disso há o problema da China, que é contrária à instalação do THAAD, pois alega que os radares interferem em seus sistemas de defesa, e que, em represália, boicotou interesses econômicos da Coreia do Sul, que dificilmente pode se permitir desavenças com este que é - com muita distância - seu maior parceiro comercial.

Por outro lado, muitos acreditam que uma vitória dos liberais de Moon, tradicionalmente propensos ao diálogo com Pyongyang, poderia contribuir para acalmar a situação.

"Acredito que uma vitória progressista acarretará em tentativas de aproximação com a Coreia do Norte", declarou à Agência Efe Kevin Gray, especialista em relações internacionais na Ásia Oriental da Universidade de Sussex, na Inglaterra.

No entanto, Gray indica que essas aproximações podem não ter sucesso se os EUA adotarem uma política "de contenção" com o regime norte-coreano.

"Os sinais do governo Trump foram até agora bastante caóticos e é difícil saber qual será a estratégia em longo prazo. No entanto, há muitas probabilidades de que qualquer abertura de Seul entre em colapso se Washington optar pela agressividade", acrescentou o especialista.

No entanto, Gray considera que o endurecimento estratégico que os EUA defendem com relação à era Obama poderia ser reduzido se Moon, que tem 20 pontos de vantagem nas pesquisas sobre seus rivais, se transformar no novo presidente da Coreia do Sul.

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