Entre conspirações e boatos, sites a favor de Marine Le Pen crescem na França

Antonio Torres del Cerro.

Paris, 6 mai (EFE).- Os sites de extrema direita na França, um dos principais apoios da candidata presidencial Marine Le Pen, passam por um "boom" graças a teorias conspiratórias e publicação de boatos, segundo os especialistas em comunicação.

No entanto, estas páginas - com semelhanças com famoso site americano "Breitbart News", que apoiou Donald Trump em sua campanha presidencial nos Estados Unidos - negam sua falta de rigor e defendem o papel que desempenham, ao se posicionarem como um contraponto aos meios de comunicação tradicionais.

Na véspera do segundo turno das eleições presidenciais entre Marine Le Pen e Emmanuel Macron, boatos e informações falsas circularam pela internet, como a suposta conta bancária que o candidato social liberal teria nas Bahamas.

Para o pesquisador do Centro Nacional de Investigações Científicas (CNRS), Arnaud Mercier, esta e outras "intoxicações" informativas propagadas na rede "podem ter um impacto" nas urnas, como aconteceu nas eleições americanas de 2016.

"(Estes sites) servem para divulgar de forma massiva boatos contra os adversários de Marine Le Pen, começando por Macron (o favorito, segundo as pesquisas). Estas páginas fazem um minucioso e constante trabalho de desgaste para interferir na percepção dos eleitores indecisos", disse à Agência Efe Mercier.

De acordo com o Alexa, um serviço que mede as visitas dos sites, 16 páginas catalogadas de extrema direita estavam em outubro de 2016 entre as 30 mais visitadas entre os portais de informação política na França.

O site "Egalite et Réconciliation" contou com 8,1 milhões de visitas na França, o "Français de Souche", com 4,5 milhões, o "Les moutons enragés", com 2,3 milhões, o "Voltairenet", com 1,7 milhão, e o "Wikistrike" com 1,5 milhão; todos com mais acessos do que portais oficiais, como os do governo, do Senado ou da Assembleia Nacional.

"São páginas de extrema direita e conspiratórias que muitas vezes denunciam os meios de comunicação tradicionais como mentirosos e corruptos", indicou o investigador.

Mercier citou como exemplo o site "Breitbart", representante da tendência "alt-right", a nova direita radical dos EUA, que apoiou o atual presidente Donald Trump na campanha eleitoral em 2016 e cujas mensagens xenófobas repercutiram na classe média branca.

Acusados de falta de rigor e amadorismo, os fundadores dos sites franceses preferem ser definidos pelo termo "alternativos", ao invés de "ultradireitistas" ou "fachosphère" ("esfera fascista"), como são comumente conhecidos na França.

A "Voltairenet" é uma das páginas catalogadas como de extrema direita e conspiratórias. Seu diretor, Thierry Meyssan, esclareceu à Agência Efe que os sites "alternativos" são gerenciados, em muitos casos, por profissionais (jornalistas e pesquisadoes universitários) que analisam, produzem e replicam notícias.

Estas páginas também estão abertas para a divulgação de artigos escritos por seus próprios leitores.

Meyssan, que escreveu um livro no qual assegura que os atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA foram um ataque interno e não externo, lamentou "o desequilíbrio de forças" entre os sites com pouco dinheiro e a grande mídia.

Constatou, isso sim, que páginas como as que dirige "desempenham um papel fundamental na atual campanha presidencial".

"Os franceses votaram por classes sociais. Não surpreende que a mídia e seus grandes investidores votem em Macron, enquanto a imprensa digital com seus poucos recursos financeiros vote em Le Pen", argumentou o criador da "Voltairenet", antigo dirigente do esquerdista Parti Radical de Gauche (PRG).

Segundo Meyssan, o "Breitbart" de 2016 e anos anteriores - quando era dirigido pelo atual conselheiro de Trump, Steve Bannon - e os sites "alternativos" franceses têm semelhanças.

"O 'Breitbart' se tornou seu principal apoio (de Trump), enquanto a imprensa escrita, em uníssono, apoiou Hillary Clinton. É o caso das páginas alternativas francesas: todos estão de acordo em frear Emmanuel Macron apoiando explicitamente Marine Le Pen", argumentou.

Neste domingo, quando os franceses escolham entre Marine e Macron, será possível saber se esta dicotomia teve influência nas urnas.

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