Manifestantes tomam centro de Varsóvia para protestar contra o governo

Nacho Temiño.

Varsóvia, 6 mai (EFE).- Mais de 90 mil pessoas tomaram o centro de Varsóvia, capital da Polônia, neste sábado em um protesto convocado pela principal força de oposição, o partido de centro-direita Plataforma Cívica, contra o governo nacionalista do Lei e Justiça (PiS) e para exigir um país mais livre e europeu.

"Protestamos porque o governo quer nos afastar da Europa, e os poloneses são totalmente europeus. Protestamos porque esse governo não respeita os valores europeus, os tratados europeus e as liberdades pessoais", disse à Agência Efe o presidente do Comitê em Defesa da Democracia (KOD), Mateusz Kijowski.

O KOD, um movimento popular que nasceu após a vitória eleitoral em 2015 do PiS, considerado ultraconservador e nacionalista, estava entre as organizações que decidiram participar do protesto convocado pela oposição, representada também por membros do Nowoczesna, de tendência liberal, e do Partido Camponês.

Somente o movimento Kukiz 15, a terceira força da oposição no parlamento, decidiu não fazer parte da manifestação.

Cerca de 90 mil pessoas participaram do início do protesto, segundo estimativa da Câmara Municipal de Varsóvia, governada pela Plataforma Cívica. A polícia da capital, porém, afirmou que apenas 9 mil manifestantes foram às ruas de Varsóvia.

A chamada "Marcha pela Liberdade" ocupou o centro da cidade para exigir que o governo se aproxime da Europa e respeite as liberdades e o estado de direito, que os organizadores do protesto consideram ameaçado pelas políticas do Partido Lei e Justiça.

A manifestação foi liderada pelo presidente da Plataforma Cívica, Grzegorz Schetyna, e ex-primeira-ministra Ewa Kopacz, que substituiu Donald Tusk no poder quando ele assumiu a presidência do Conselho Europeu em 2014.

"A elevada participação nesta Marcha pela Liberdade evidencia que os poloneses querem defender a liberdade contra o governo que flerta com o autoritarismo e nos afasta da Europa", disse Schetnya, que convocou os partidos de oposição a formar um bloco comum.

Os manifestantes levavam cartazes que pediam "liberdade para uma Polônia europeia" e "democracia frente ao autoritarismo". Também era possível ver várias bandeiras do país e da União Europeia.

Alguns participantes mostravam especial rejeição ao líder do Lei e Justiça, Jaroslaw Kaczynski, considerado o homem forte por trás do governo, e representado hoje como Josef Stalin em cartazes e máscaras. A atual primeira-ministra, Beata Szydlo, e o presidente do país, Andrzej Duda, apareciam como marionetes de Kaczynski.

Um ano e meio depois de ter ganhado as eleições gerais com maioria absoluta, a primeira na história da democracia polonesa moderna, o Lei e Justiça começou a perder apoio devido às políticas que tentou implementar no país.

Uma recente pesquisa colocava o partido pela primeira vez no primeiro lugar por causa das discordâncias com a União Europeia, do polêmico bloqueio à reeleição de Tusk no Conselho Europeu e também por reformas polêmicas, como a do Tribunal Constituição e a dos meios de comunicação pública.

Por outro lado, a Plataforma Cívica, partido de Tusk e que governou a Polônia entre 2007 e 2014, recuperou o apoio entre os eleitores e ultrapassou o Lei e Justiça nas últimas pesquisas, fundamentalmente por ter sabido capitalizar a rejeição ao governo.

A manifestação de hoje coincidiu com outro protesto em defesa da União Europeia, não convocado pelos partidos, mas sim pela Fundação Robert Schuman. O responsável pelo órgão, Rafal Dymek, explicou que o objetivo do ato era exigir "uma Europa segura, capaz de enfrentar unida os desafios do mundo moderno, e na qual a Polônia tenha um papel determinante".

Na cidade de Szczecin, Kaczynski afirmou que há sim liberdade na Polônia e pediu aos manifestantes que façam uma reflexão.

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