Candidato improvável, Macron será presidente mais novo da história da França

Enrique Rubio.

Paris, 6 mai (EFE).- Com 39 anos, Emmanuel Macron se torna o presidente mais novo da história da França, algo impensável há um ano e uma vitória ainda difícil de acreditar se consideradas sua carreira e suas ideias políticas.

Europeístas em tempos de um ceticismo crescente em relação à União Europeia, liberal na pouco liberal França, cérebro econômico do impopular presidente François Hollande, banqueiro de investimento de um país receoso com as finanças, jovem em uma classe política envelhecida, Macron, apesar de tudo, conseguiu tocar os franceses.

Sua fulgurante transformação de desconhecido ministro da Economia a presidente da França se explica por seu sucesso em se apresentar como um reformista à margem do sistema, mas também pelas circunstâncias que cercaram o pleito presidencial deste ano.

Em uma eleição que parecia elaborada para o triunfo da direita, a queda do conservador François Fillon devido a um grande escândalo de corrupção e a guerra civil no Partido Socialista abriram uma oportunidade de ouro para Macron conquistar votos dos dois lados do espectro político francês;

Dentro da lógica de um modelo eleitoral que propicia a bipolaridade, Macron conseguiu se posicionar como um antídoto perfeito contra o populismo nacionalista de sua rival, a líder da extrema direita Marine Le Pen.

Desde que entrou no governo do atual presidente do país, o socialista François Hollande, em agosto de 2014, Macron quis ter voz própria. Buscou continuamente um perfil diferenciado, à direita dos socialistas, mas com propostas sociais e cosmopolitas que o afastam dos conservadores do Partido Os Republicanos.

Fora o viés centrista, Macron não é o orador mais capaz e nem conta com o carisma de outros políticos, mas passa a sensação de conhecer sobre o que está falando. Conseguiu essa imagem ponderada, porém, sem revelar profundamente suas propostas.

Apesar de "pegar emprestado" elementos da direita e da esquerda, Macron não cedeu à tentação de prometer coisas irrealizáveis, algo que, avaliou, foi o grande erro do mandato de Hollande.

Filhos de dois médicos de Amiens, no norte do país, Macron se formou no grande celeiro francês de funcionários públicos, a Escola Nacional de Administração. Após concluir os estudos, começou a trabalhar como inspetor de finanças. Depois, em 2008, foi contratado pelo banco de investimentos Rothschild, do qual chegou a ser sócio.

Ali foi apelidado de "Mozart das finanças" por sua precoce habilidade de fechar acordos, apoiado em uma boa rede de contatos com o mundo político. Um dos exemplos foi sua participação para fazer com que a Nestlé comprasse uma divisão da Pfizer por 9 milhões de euros.

Mesmo com os rivais tentando colar um rótulo de "amigo dos banqueiros" em sua campanha, Macron reitera que sua carreira é exatamente o que o difere dos políticos tradicionais que viveram durante toda a vida às custas do dinheiro público.

Na iniciativa privada, ele já conciliava o trabalho com a colaboração do então candidato Hollande.

Convencido de que a política é uma "droga dura", Macron entrou no Palácio do Eliseu em 2012 junto a Holande como secretário-geral-adjunto da presidência, sendo o arquiteto das primeiras reformas econômicas do socialista.

Seu pecado original - nunca ter sido eleito para um cargo público - o privou de ser ministro do Orçamento no primeiro governo do primeiro-ministro Manuel Valls, com quem tinha uma relação bastante próxima. Cinco meses depois, porém, assumiu a Economia das mãos de Arnaud Montebourg, líder da ala esquerdista dos socialistas.

Sua intenção de iniciar uma "carreira solo" ficou clara há um ano com a criação do movimento político "En Marche!", plataforma inspirada na campanha de Barack Obama nos Estados Unidos, após deixar o governo em agosto.

Músico e leitor voraz nas horas vagas, Macron também ganhou as manchetes pela peculiar história de amor com sua esposa, Brigitte Trogneux, sua ex-professora e 24 anos mais velha do que ele.

"A vida política é muito violenta para o entorno. Os prazeres narcisistas frequentemente são solitários, mas as dificuldades são compartilhadas", disse Macron recentemente. "Quando eu for eleito, Brigitte terá seu lugar, não atrás, nem escondida, mas ao meu lado, onde ela sempre esteve", prometeu.

A partir de hoje, Macron terá a oportunidade - e a obrigação - de fazer todas suas palavras realidade.

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