Clima de desilusão e esperança se contrapõem em comitê de Le Pen após derrota

Yago Grela.

Paris, 7 mai (EFE).- Nem rosas azuis em uma mão e taças de champanhe na outra eram suficientes para que os seguidores de Marine Le Pen escondessem a desilusão e a tristeza após a notícia de que a líder da extrema direita tinha sido derrotada no segundo turno das eleições presidenciais da França pelo centrista Emmanuel Macron.

"Não me surpreende o resultado. Estávamos sozinhos contra todos. Os demais partidos e veículos de imprensa apoiaram Macron. Ganhar era impossível", afirmou à Agência Efe Jean Jacques, eleitor fiel da Frente Nacional (FN), partido de Le Pen, há muitos anos.

Quando a tela mostrou Macron como novo presidente da França, o salão onde estavam os eleitores de Le Pen foi tomado por uma grande vaia como uma mostra de rejeição. Entre eles, fica a sensação de que a campanha foi como uma luta entre "Davi e Golias".

"A propaganda que os veículos de comunicação fizeram influenciou de maneira considerável, mas não perco a esperança porque ainda restam as eleições legislativas (marcadas para junho)", disse à Efe a integrante do gabinete de Le Pen Soraya Le Mer.

Le Pen, que chegou ao evento organizado no Chale du Lac às 19h locais (14 em Brasília), só apareceu depois da publicação das primeiras projeções de voto que a consideravam como derrotada. Macron tinha 65% contra 35% da líder da Frente Nacional.

Quando entrou no grande salão, Le Pen foi recebida por gritos de "Marine, a presidente do povo". Os eleitores balançavam bandeiras francesas que tinham sido entregues na entrada do local.

Além disso, eles cantaram em uníssono A Marselhesa, o hino nacional do país, antes dos resultados e imediatamente depois após a notícia da derrota da candidata da extrema direita.

"Não podemos perder o espírito", disse Olivier Dute, que viajou de Montpellier, no sul da França, para comparecer especialmente ao evento organizado por Le Pen.

Quando a grande derrotada da noite terminou seu breve discurso, todo o salão rompeu em aplausos. Ela, inclusive, desceu do palanque para cumprimentar alguns dos militares e para agradecê-los por seu apoio durante a campanha.

Nunca antes um candidato da FN esteve tão perto do Palácio do Eliseu. O pai de Marine, Jean-Marie Le Pen, que foi ao segundo turno em 2002, obteve apenas 17,79% dos votos contra Jacques Chirac.

Para o coordenador do projeto presidencial de Marine, Jean Messiha, o resultado não é tão negativo. "Seremos o líderes da oposição", cravou.

A mesma afirmação foi feita pela própria Marine, que garantiu que o resultado de hoje é "histórico". A líder da extrema direita disse que comandará o combate nas eleições legislativas e que quer reunir todos aqueles que preferem colocar a França em primeiro lugar. Para isso, anunciou uma profunda renovação de seu movimento político.

Após o discurso, a festa continuou em um clima misto de desilusão e esperança. Os mais animados pelas perspectivas das eleições legislativas tentavam encorajar os demais. Mas nunca antes uma taça de champanhe acabou tendo um sabor tão amargo.

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