Afeganistão reconhece 4 mortos e 30 feridos em combate com paquistaneses

Cabul, 8 mai (EFE).- O Governo de Afeganistão reconheceu nesta segunda-feira a morte de quatro afegãos, dois membros das forças de segurança e dois civis, e pelo menos 30 feridos em um combate com o Paquistão na sexta-feira na fronteira entre ambos países, e insistiu que é falso o anúncio de Islamabad de que matou 50 soldados.

Um porta-voz do Ministério de Interior afegão, Najib Danish, declarou à Agência Efe que nos combates morreram "dois polícias fronteiriços" e dois residentes do distrito afegão de Spin Boldak, na província meridional de Kandahar.

A fonte confirmou, além disso, que outras 30 pessoas ficaram feridas pelo bombardeio com morteiros desde o outro lado da Linha Durand.

"Rejeitamos as afirmações dos oficiais paquistaneses, suas declarações não têm fundamento", disse Danish sobre o anúncio ontem por parte do Paquistão de que suas tropas mataram cinquenta membros das forças de segurança afegãs.

O embaixador do Afeganistão em Islamabad, Omar Zakhilwal, rejeitou também hoje de maneira enérgica que o Paquistão tenha matado 50 soldados afegãos e ferido outros 100, e disse que os dois mortos pertenciam ao Exército e não ao corpo policial.

"A verdade é que somente dois soldados afegãos morreram e sete ficaram feridos. Mesmo assim, inclusive duas vidas são muitas se nossas reclamações de boa vizinhança são genuínas", assegurou o diplomata em sua conta oficial do Twitter.

Zakhilwal também criticou o tom vitorioso dos meios paquistaneses.

Segundo a versão do Paquistão, dez pessoas morreram e 42 ficaram feridas na sexta-feira pelas tropas afegãs perto da passagem fronteiriça de Chaman, e posteriormente, no contra-ataque, os paquistaneses mataram 50 soldados do Afeganistão.

Os combates de sexta-feira começaram após um suposto ataque contra uma equipe paquistanesa de trabalhadores do censo em uma zona fronteiriça.

As trocas de fogo entre forças afegãs e paquistaneses não são comum na Linha Durand, como é conhecida a fronteira criada após um acordo entre os britânicos e Cabul no século XIX.

As autoridades afegãs não reconhecem os 2.500 quilômetros de fronteira que separa ambos países e que começou a ser cercada com valas por Islamabad em algumas zonas.

O Afeganistão denunciou em março incursões e bombardeios com morteiros paquistaneses contra seu território, depois que o Paquistão decidiu fechar a fronteira após um ataque contra um templo no sul do país que deixou 88 mortos.

A fronteira permaneceu fechada por mais de um mês, o que provocou perdas milionárias a empresários afegãos, especialmente nas zonas limítrofes, além de ter deixado pessoas isoladas que foram surpreendidas com o fechamento da passagem pela linha divisória.

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