Feliz com Macron, Merkel não vê mudança em pacto de estabilidade da UE

Berlim, 8 mai (EFE).- A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, voltou a expressar nesta segunda-feira sua alegria pela vitória de Emmanuel Macron na França e manifestou sua confiança de que ambos trabalharão juntos para dar à União Europeia (UE) "um futuro seguro e de sucesso", mas adiantou que não vê motivos para mudar o Pacto Europeu de Estabilidade e Crescimento.

Em coletiva de imprensa, Merkel rejeitou assim a pedido lançado ontem à noite por seu ministro das Relações Exteriores, o social democrata Sigmar Gabriel, que defendeu a necessidade de que Berlim apoie Macron e acabe com a política de "ortodoxia fiscal" e de "apontar o dedo", e que inicie um plano alemão-alemão de investimentos.

A chanceler assegurou que a Alemanha sempre tenta ajudar, mas deixou claro que seu apoio não pode substituir as medidas que a França deverá tomar e lembrou que o Estado francês "deve tomar suas decisões".

Após indicar que não acredita que Berlim deva mudar a política econômica que defende na União Europeia (UE), Merkel destacou que não ouviu "nenhuma crítica" de Macron ao Pacto de Estabilidade e lembrou que os sócios europeus já mostraram "flexibilidade" para França nesse contexto em anos anteriores.

"O que a França precisa são resultados", prosseguiu a chanceler, para acrescentar que estes serão avaliados ao longo da nova legislatura e para enfatizar que é preciso esperar que o novo presidente apresente seu programa de reformas.

Só depois disso será possível falar de como apoiar essas reformas, disse Merkel, evitando entrar em detalhes.

Pouco antes, o porta-voz da chefe de governo da Alemanha, Steffen Seibert, tinha deixado claro que Merkel não havia mudado de posição em relação à rejeição aos eurobônus e evitou também falar de um possível fundo de investimentos bilateral.

A chanceler lembrou que a França não apresenta "uma taxa de investimento ruim" e destacou que é a Alemanha que está propondo aumentar a sua.

Sobre as críticas feitas durante a campanha pelo presidente eleito francês ao superávit exportador da Alemanha, Merkel destacou que o motor econômico do país é, neste momento, o consumo interno e indicou que prevê que esse superávit, que responde "em parte à qualidade de seus produtos" e à política do Banco Central Europeu (BCE), diminua um pouco nos próximos anos.

À margem do debate econômico suscitado pelo ministro das Relações Exteriores e vice-chanceler alemão, Merkel assegurou que não tem "a mínima dúvida" de que trabalhará bem com Macron, um político que levou "esperança" a milhões de franceses e a muitos alemães e europeus.

Após elogiar sua campanha "corajosa" em defesa de uma Europa aberta e de uma economia social de mercado, lembrou que a amizade entre Alemanha e França é uma "pedra fundamental" da política alemã e ratificou sua decisão de trabalhar em conjunto com os franceses para enfrentar os desafios comuns dos dois países e da UE.

Integrantes do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha, por sua vez, defenderam hoje o pedido do titular do departamento de acabar com a austeridade fiscal, apesar de diversos analistas o enquadrarem na necessidade dos social democratas, que integram a grande coalizão de governo, de estabelecer diferenças com Merkel neste ano eleitoral.

O Ministério das Relações Exteriores alemão deixou claro que a proposta de Gabriel de criar um fundo de investimentos franco-alemão era do ministro, não do governo, e na mesma linha se pronunciou o Ministério das Finanças, dirigido pelo conservador Wolfgang Schäuble.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores alemão, Martin Schäfer, lembrou que Gabriel e Macron falaram muito sobre essas questões quando ambos eram titulares de Economia e explicou que sua proposta parte da base de que é preciso ajudar a França a iniciar suas reformas porque, se não, "em cinco anos teremos (Marine) Le Pen".

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