Ministro do Cazaquistão destaca estabilidade do país frente ao extremismo

Bruxelas, 8 mai (EFE).- O ministro de Assuntos Religiosos e Sociedade Civil do Cazaquistão, Nurlan Yermekbayev, destacou nesta segunda-feira a estabilidade de seu país frente ao extremismo religioso, embora tenha admitido que nenhum Estado goza de "proteção absoluta" perante o radicalismo.

"Acredito que hoje não há países no mundo com a absoluta segurança, proteção e garantia frente ao extremismo religioso, e o Cazaquistão não é uma exceção. Mas, ao mesmo tempo, o Cazaquistão é um país bastante exitoso, estável e pacífico", declarou o ministro desse país da Ásia Central em uma entrevista à Agência Efe.

Dada a escassez de atentados nesta antiga república soviética, surpreendeu o ataque terrorista de junho do ano passado no qual um grupo de homens armados atacaram duas lojas de armas e uma base militar da Guarda Nacional em Aktobe, com o saldo de seis pessoas mortas e mais de uma dezena de feridos.

"Foi um surto de extremismo e radicalismo religioso, mas a maioria da sociedade o condenou e não apoia esses atos; não é habitual no Cazaquistão", comentou Yermekbayev.

O político cazaque afirmou que o risco de atentados terroristas hoje em seu país é "muito baixo", embora tenha lembrado que, após os ataques de Aktobe, foi declarado o nível "amarelo" (moderado) de alerta terrorista, desativado "após a completa estabilização da situação, que não requererá muito tempo".

Sobre as medidas adotadas pelo governo para combater o "extremismo religioso e a radicalização", Yermekbayev ressaltou que permitem desenvolver campanhas de informação, educação e propaganda, inclusive explicações aos jovens e às vítimas das "seitas radicais".

Também destacou "as ações das agências encarregadas do cumprimento da lei e os serviços especiais orientados à identificação operativa de terroristas e grupos radicais para evitar que cometam ataques terroristas".

"Existe um amplo leque de diferentes razões e motivos (para explicar a radicalização), e, por isso, as medidas de prevenção e neutralização devem ser exaustivas e sistémicas", disse o ministro, que salientou que seu departamento se centra no trabalho de informação, explicação e desradicalização.

O político frisou o caráter laico do Cazaquistão, estabelecido em sua Constituição, o que significa, segundo suas próprias palavras, que "o Estado está separado da religião e não intervém nos assuntos internos e de culto das organizações religiosas, ao mesmo tempo em que as organizações religiosas não intervêm nem substituem as funções do Estado".

"Todos os assuntos em que possa existir alguma contradição entre dogmas religiosos e leis são regulados e se dá a prioridade às leis", explicou, para em seguida destacar que o Cazaquistão proporciona "completa liberdade de fé e de religião".

Perguntado pelos relatórios da ONG Human Rights Watch, onde se critica a falta de liberdade religiosa no Cazaquistão, Yermekbayev declarou que "caberia perguntar a eles" o motivo dessas afirmações.

"Outras organizações, observadores e especialistas internacionais certificam que há liberdade de consciência no Cazaquistão", alegou o ministro.

Sobre o acordo reforçado de associação e cooperação entre a União Europeia e o Cazaquistão assinado no final de 2015 e pendente da ratificação dos Estados comunitários, Yermekbayev assegurou que "já hoje se detecta um crescimento muito dinâmico da cooperação" com o bloco europeu.

Nesse sentido, ressaltou que metade do comércio cazaque é realizada com países do clube comunitário e acrescentou também que 50% dos investimentos estrangeiros nesse Estado da Ásia Central são realizados por membros da União.

Durante sua visita a Bruxelas, o titular de Assuntos Religiosos se reuniu com a líder da delegação do parlamento europeu para Ásia Central, Iveta Grigule, para debater o desenvolvimento da sociedade civil no Cazaquistão.

Além disso, teve um encontro com o representante especial da Comissão Europeia para Ásia Central, Peter Burian, com o objetivo de abordar a cooperação entre o bloco europeu e Astana, os direitos humanos e liberdades no Cazaquistão e a prevenção do extremismo religioso.

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