Santos diz que Assembleia Constituinte não é "saída adequada" para Venezuela

Bogotá, 8 mai (EFE).- O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, afirmou nesta segunda-feira que a Assembleia Constituinte proposta por Nicolás Maduro não é a "saída adequada" para crise vivida no país e pediu liberdade para os presos políticos.

"Não é a saída adequada. Primeiro é preciso um calendário eleitoral, que respeite a assembleia legislativa, para que devolvam seus poderes, a Constituição seja cumprida e, nesse espírito, se inicie um processo para libertar os presos políticos", disse Santos em uma entrevista à "RCN Radio".

Maduro convocou uma Assembleia Nacional Constituinte há uma semana perante a situação de crise no país, onde a oposição tem se manifestado há quase um mês contra o Governo em protestos nos quais já morreram 37 pessoas.

O governante venezuelano convocou essa Assembleia ao apontar que não tem outra alternativa e que desta forma atingirá a paz no país.

Neste sentido, Santos disse que "é importante" manter relações cordiais "dentro das diferenças" com a Venezuela, país vizinho da Colômbia e com o qual lembrou que têm vínculos históricos.

"O pior que pode ocorrer aos colombianos é uma implosão no vizinho país. Temos dependência não somente pelo número de colombianos que temos ali e vice-versa", acrescentou.

O governante colombiano também lembrou como foi sua conversa com o falecido presidente venezuelano Hugo Chávez, a quem disse há seis anos que "a revolução bolivariana fracassou".

No encontro, lembrou que falou para Chávez que ambos eram muito diferentes. "Eu nunca vou ser um revolucionário bolivariano e o senhor nunca um democrata liberal".

Então Santos pediu que deixassem que a história decidisse. "Eu asseguro que seu modelo vai fracassar, mas deixemos que a história nos diga".

No entanto, reconheceu o trabalho dos governantes de Venezuela na hora de a Colômbia alcançar a paz, o que agradeceu aos governantes do vizinho país.

Apesar disso, Santos assegurou que "a estabilidade da Venezuela é uma prioridade" para a Colômbia e reiterou que o pior que pode acontecer ao país "é uma implosão no vizinho país".

Sobre a advertência feita por Maduro, de que ia revelar detalhes dos diálogos de paz com as Farc, dos quais a Venezuela foi país fiador, assegurou que nenhum dos negociadores teme o líder venezuelano.

"Estão todos muito tranquilos porque todos disseram 'o que ele poderá revelar?' não acredito que possa revelar maior coisa, mas não imagino do que se trata porque tudo foi feito com transparência", concluiu.

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