Síria cumprirá com acordo de zonas seguras, mas responderá a violações

Cairo, 8 mai (EFE).- O ministro das Relações Exteriores da Síria, Walid al Muallem, disse nesta segunda-feira que seu governo respeitará o acordo para a redução da violência em determinadas áreas da Síria, que foi estabelecido com Rússia, Irã e Turquia como garantidores, mas que responderá se houver infrações ao pacto de cisão da Frente al Nusra pelos signatários.

"Cumpriremos (com o pacto), mas se houver violação por parte de qualquer organização responderemos de forma contundente", advertiu Muallem em uma coletiva de imprensa em Damasco exibida pela emissora de televisão oficial do regime.

O chefe da diplomacia síria indicou que um dos objetivos do acordo, que entrou em vigor no sábado, é que as facções armadas signatárias se separem da Frente al Nusra, como se chamava o antigo braço da Al Qaeda na Síria até julho, que atualmente opera ao lado de outros grupos dentro da Organização para a Libertação do Levante.

"No memorando é solicitada uma cisão entre os grupos signatários e os que não entraram no pacto, como a Frente al Nusra", disse Muallem, que acrescentou que outra organização terrorista que está fora do acordo é o Estado Islâmico (EI).

Nesse sentido, Muallem lembrou que em todas as áreas em que o acordo está em vigor há presença do antigo braço da Al Qaeda e de outros grupos, como na província de Idlib.

"Em Idlib há presença da Frente al Nusra, dos Livres de Sham e outros grupos. Lá, as facções que entraram no acordo deveriam expulsar a Frente al Nusra", exigiu o ministro sírio.

Se essa separação entre os grupos for bem-sucedida, Muallem previu que será possível atingir a meta de redução da violência nessas áreas.

O ministro sírio considerou que os Estados garantidores - Turquia, Rússia e Irã - devem pressionar as facções armadas para que se afastem da Frente al Nusra, tal e como determina o texto do pacto: "Vamos esperar para ver o que eles vão fazer", indicou Muallem.

O ministro detalhou que não haverá sobre o terreno nenhuma força internacional ou da ONU para supervisionar o cumprimento do acordo, apenas a polícia militar russa estará encarregada de fazê-lo.

"Não haverá nenhuma força internacional sob a supervisão da ONU. A Rússia, como garantidora, deixou claro que enviará forças da polícia militar (russa) e estabelecerá postos de observação", segundo Muallem.

O ministro sírio reiterou que seu governo apoia qualquer iniciativa que tenha como objetivo deter o derramamento de sangue na Síria.

Muallem lembrou que o governo sírio participou de todas as rodadas de conversação de paz em Genebra, promovidas pela ONU.

"No entanto, o processo de Genebra não avança porque não há uma oposição patriótica comprometida com sua pátria, e que, além disso, recebe instruções de terceiros países", criticou Muallem, que também acusou a Turquia de violar o cessar-fogo declarado na Síria em dezembro.

Por outro lado, o titular de Relações Exteriores da Síria falou dos processos "de reconciliação", que estão permitindo a retirada de combatentes de grupos armados de distintas áreas do país.

"Hoje há um em Barze, e esperamos outro em Al Qaboun e em Al Yarmouk. Ainda há discussões", destacou Muallem, em referência a áreas distintas dentro e na periferia de Damasco.

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