Capela que sobreviveu ao 11 de setembro é ameaçada por aumento do aluguel

Nora Quintanilla.

Nova York, 9 mai (EFE).- A capela de Saint Joseph sobreviveu aos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, mas este humilde refúgio que acolheu vítimas e heróis do pior atentado da história dos Estados Unidos agora corre o risco de desaparecer, ameaçado pelo preço de seu aluguel no revitalizado sul de Manhattan.

Situado a menos de 500 metros do local onde ficavam as Torres Gêmeas, o pequeno santuário católico se transformou durante semanas em um centro de comando improvisado para as equipes de resgate após os ataques e serviu como refúgio para vítimas e outras pessoas que precisavam de um espaço para refletir.

"Estou devastada", disse à Agência Efe Justine Cuccia, uma paroquiana que luta contra o fechamento da capela na agência do distrito local e considera que a igreja está "decepcionando" sua comunidade. "Prometeram não esquecer e estão esquecendo", acrescentou.

As contas da Saint Joseph são há vários anos um lastro para a paróquia da zona sul de Manhattan, à qual pertence junto com as igrejas de Saint Peter e Our Lady of the Rosary, e da qual também é prestatária.

"O aluguel acostumava ser de US$ 85 mil ao ano e aumentou em março de 2014 para US$ 265 mil. É um absurdo, não deveria ter acontecido nunca", declarou Cuccia.

A capela terá de desembolsar pelo menos US$ 292 mil este ano em despesas de aluguel à imobiliária LeFrak, que gerencia o complexo residencial onde está situada.

Segundo o balanço do ano passado, a paróquia inteira tinha um déficit de US$ 754.972, arrastado em boa parte pela capela Saint Joseph, cujas despesas de aluguel - incluindo multas e impostos - chegaram a US$ 369 mil, enquanto seus investimentos somavam apenas US$ 164 mil.

A arquidiocese de Nova York, que engloba os cinco distritos da cidade, emprestou US$ 540.431 à paróquia, fazendo o total da dívida com o órgão religioso alcançar US$ 1,3 milhão.

A LeFrak e a paróquia estão negociando uma redução do preço do aluguel, mas, ainda assim, o montante poderia ser alto demais para superar "significativas perdas operativas" que, segundo o conselho financeiro da paróquia, "não são sustentáveis".

A Saint Joseph, fundada em 1899 e integrada à primeira paróquia católica do estado de Nova York, conta com a carga simbólica de ter sido palco da tragédia nova-iorquina e protagonista na sua volta à normalidade.

Bombeiros, policiais e pedreiros que trabalharam na reconstrução do Marco Zero voltaram durante semanas a esta capela dedicada ao santo padroeiro dos trabalhadores para se lavar, comer, descansar, reunir-se e encontrar um pouco de paz em meio ao caos fumegante que lhes esperavam dois blocos adiante.

O santuário, que hospeda um memorial católico em homenagem às vítimas e aos heróis do 11 de setembro, reabriu suas portas em 11 de setembro de 2003 após um período de reparações em seu interior, durante o qual as missas foram celebradas em um edifício próximo.

"Eu não posso ir ao Memorial de 11 de Setembro que está do outro lado da rua, é muito triste, e quero um lugar para lembrar e homenagear as pessoas que perderam a vida. Esta capela é o lugar perfeito", declarou Cuccia, para quem "simplesmente não é justo se desfazer dela".

Quase 15 anos depois de reabrir, esta humilde igreja que atende 200 famílias na área de Battery Park teme fechar o cadeado por falta de fundos, enquanto outros centros religiosos nos arredores contam uma história diferente.

É o caso da igreja ortodoxa grega de San Nicholas, que sofreu com a queda da segunda torre do World Trade Center e está sendo reconstruída junto ao Memorial do 11 de Setembro sob o design do arquiteto espanhol Santiago Calatrava, um projeto arquitetônico de US$ 35 milhões.

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