Lula ficará frente a frente com Moro para depoimento-chave na Lava Jato

Alba Santandreu.

Curitiba, 9 mai (EFE).- O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficará frente a frente com o juiz Sergio Moro pela primeira vez nesta quarta-feira, quando viajará a Curitiba para prestar depoimento em uma ação na qual é investigado dentro do âmbito da Operação Lava Jato.

O ex-governante, indiciado em cinco causas, será interrogado por Moro a fim de determinar se recebeu um triplex na cidade de Guarujá, em São Paulo, como retribuição por favores ilegais à construtora OAS, envolvida no esquema de corrupção na Petrobras.

Encurralado pela Justiça, Lula lançou nos últimos meses duras acusações contra Moro, a quem denunciou perante o Comitê de Direitos Humanos da ONU por abuso de poder e perseguição política.

O primeiro round entre Moro e Lula aconteceu em 4 de março de 2016, quando o magistrado determinou a condução coercitiva do ex-presidente para que este prestasse depoimento à polícia, o que suscitou tensões entre defensores e críticos do petista, que inclusive chegaram às vias de fato.

O juiz, que já mandou para prisão a importantes executivos e políticos, teme um novo enfrentamento entre ambas partes depois da mobilização dos grupos nas redes sociais.

Para impedir um eventual confronto, Moro pediu aos manifestantes que apoiam as investigações da Lava Jato que não compareçam ao tribunal e que evitem incidentes, um discurso que parece ter dissuadido alguns movimentos contrários a Lula.

"Tudo que queremos evitar nessa data é uma confusão e conflito, e acima de tudo não quero que ninguém se machuque em eventual discussão ou conflito nesta data, por isso minha sugestão é: não venha. Não precisa, deixe a Justiça fazer seu trabalho com normalidade", afirmou Moro em um vídeo que foi duramente criticado pela defesa de Lula.

As medidas de segurança começaram a ser reforçadas nesta terça-feira nos arredores do fórum de Curitiba, onde a partir da meia-noite serão barradas todas aquelas pessoas que não tiverem uma credencial.

Os agentes vigiam desde primeira hora do dia os arredores do fórum e pelo menos duas pessoas foram abordadas depois de jogar materiais pirotécnicos na porta do tribunal, segundo pôde constatar a Agência Efe.

Enquanto Curitiba se prepara para o depoimento, os advogados de Lula movimentaram suas cartas até o último momento para tentar adiar o interrogatório e analisar as 100.000 páginas de documentos anexadas no processo, que se foca nos supostos favores que o ex-governante recebeu da OAS.

No entanto, o juiz federal Nivaldo Brunoni, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, negou nesta terça-feira o pedido da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para suspender o processo.

Segundo o Ministério Público, Lula recebeu R$ 3,7 milhões em subornos da OAS, que incluem a entrega e a reforma do apartamento de três andares no Guarujá e o armazenamento de bens pessoais do ex-presidente durante cinco anos.

Além do caso do triplex, Lula se sentará no banco dos réus em outros quatro processos, um deles relacionados com a suposta compra de silêncio do ex-senador Delcidio do Amaral.

Lula alega que por trás das denúncias há um interesse político e a intenção de impedir sua possível candidatura às eleições de 2018, para as quais lidera todas as pesquisas de intenção de voto.

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