Moon Jae-in, o liberal eleito como símbolo de mudança após caso "Rasputina"

Andrés Sánchez Braun.

Seul, 10 mai (EFE).- O liberal Moon Jae-in, ex-advogado especializado na defesa de direitos civis, se tornou o 12º presidente da Coreia do Sul como símbolo do desejo de mudança após o escândalo do caso 'Rasputina', que motivou o impeachment da conservadora Park Geun-hye.

Com o perfil de ativista comprometido com as causas dos mais necessitados, Moon canalizou melhor que ninguém a saturação deixada por dez anos de governos conservadores e um escândalo de corrupção que revelou os podres da política e o mundo empresarial sul-coreano.

Moon se comprometeu a aumentar salários, criar 800 mil empregos públicos e potencializar as pequenas e médias empresas para reduzir a concentração de riqueza e poder dos 'chaebol', como são chamados no país os grandes conglomerados.

No entanto, ainda existe certo ceticismo a respeito de sua capacidade para liderar uma verdadeira mudança - alguns o tacham de excessivamente idealista e politicamente insubstancial - e governar com um parlamento que dominado por seu Partido Democrático (PD), mas sem maioria absoluta.

O novo presidente, de 64 anos, será obrigado a pactuar durante os próximos quatro anos com partidos de centro e esquerda que podem dificultar as tarefas e explodir sua suposta falta de experiência política.

De pais norte-coreanos e nascido no último ano da Guerra da Coreia (1953) em um campo de refugiados da ilha de Geoje, Moon viveu quase toda a infância na vizinha Busan (segunda maior cidade do país) e depois se tornou líder estudantil na Universidade Kyunghee de Seul.

Moon encaixa deste modo no perfil do clássico líder de esquerda sul-coreano que lutou nas ruas para derrubar as ditaduras militares de Park Chung-hee e Chun Doo-hwan.

O papel de Moon à frente de numerosas manifestações contra o governo de Park (pai da recém-deposta presidente) o fez ser detido em várias ocasiões antes de se formar em Direito, em 1980.

O passado do atual presidente como líder na luta pela democracia fez com que, dois anos depois, a junta do general Chun Doo-hwan o negasse um vaga como juiz apesar de ter ficado em segundo na oposição.

Aquilo foi providencial para que retornasse a Busan e conhecesse Roh Moo-hyun, que acabaria sendo presidente da Coreia do Sul entre 2003 e 2008.

Amigos inseparáveis até o suicídio de Roh em 2009, juntos entraram com vários processos por violação de direitos humanos nos últimos anos de ditadura a partir de um escritório de advocacia de Busan.

Após a vitória de Roh em 2002, Moon ocupou vários cargos como secretário de governo durante seu mandato, antes de se retirar da política e voltar à advocacia.

O suicídio do grande amigo por causa do envolvimento de vários parentes em um caso de corrupção o jogou de novo aos olhos do público quando discursou no funeral de Roh, o que geralmente é reservado ao filho primogênito do falecido, segundo a tradição coreana.

Esta demonstração de fidelidade motivou o Partido Democrático a defini-lo como candidato ideal para derrotar Park em 2012 e o convenceu a retornar à política.

Católico, casado e com dois filhos, Moon sucede agora Roh, que foi o último político liberal a presidir a Coreia do Sul após o período conservador de Lee Myung-bak e Park.

Na política internacional, é apontado como muito tenro e próximo à Coreia do Norte, peso que tirou das costas ao lembrar sua passagem pelas forças especiais do Exército e ressaltar que concorda com as atuais sanções sobre o regime de Pyongyang pelos testes de mísseis.

Moon também defendeu uma relação estreita com o principal aliado militar do país, os Estados Unidos, embora também tenha reivindicado a necessidade de Seul não ser um simples servo de Washington e de desenvolver a capacidade para dizer "não".

Entre seus pontos mais polêmicos estão as declarações que fez em campanha, quando deu a entender que é contra a homossexualidade (como a maioria dos candidatos), palavras que o partido depois tentou esclarecer, mas que denotam a intensa e generalizada discriminação que o coletivo LGTB ainda sofre no país asiático.

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