Presidente da República Democrática do Congo nomeia novo governo

Kinshasa, 9 mai (EFE).- O presidente da República Democrática do Congo (RDC), Joseph Kabila, nomeou nesta terça-feira um novo governo, que terá como principal missão a organização de eleições presidenciais, parlamentares, regionais e municipais.

A nova administração pretende ser um governo de unidade nacional, mas não tem representantes da União das Forças Políticas e Sociais pela Mudança (Rassop), a principal organização de oposição.

Sob o comando do premiê Bruno Tshibala, proveniente da oposição e nomeado em abril por Kabila contra a opinião da Rassop, os novos ministros têm o complicado desafio de que organizar as eleições em dezembro deste ano.

Entre os nomeados, destacam-se Léonard She Okitundu, Emmanuel Shadary e José Makila, ministros de Relações Exteriores, Interior e Transportes, respectivamente, que já estavam no governo do ex-primeiro-ministro Samy Badibanga, também de oposição, e que se demitiu após não conseguir o apoio dos adversários do presidente.

Os ministros pretendem implementar o Acordo de San Silvestre, assinado em 31 de dezembro entre o governo e a oposição para a realização de eleições antes do fim de 17, mas carece de consenso.

No pacto, Kabila e seus adversários se comprometeram a designar um primeiro-ministro e um presidente do Conselho Nacional de Acompanhamento do Acordo para pôr fim à crise provocada pelo adiamento indefinido das eleições presidenciais, que deveriam ter sido realizadas em dezembro.

As autoridades da República Democrática do Congo atrasaram as eleições alegando deficiências do censo, uma decisão considerada pela oposição como uma manobra de Kabila para permanecer no poder.

Kabila está na presidência desde 2001 e é proibido pela Constituição de se candidatar a um terceiro mandato.

O Acordo de San Silvestre permitia que Kabila ficasse na presidência até realização de novas eleições.

A composição do Conselho Nacional de Acompanhamento do Acordo e do nome do primeiro-ministro, que deve ser um político da oposição, foram os principais pontos de conflito entre Kabila e a Rassop, que foi às ruas para protestar contra a escolha de Tshibala.

As divergências impediram o consenso e racharam a própria Rassop.

Os especialistas alertam sobre a impossibilidade de substituir Kabila de modo pacífico sem a inclusão da Rassop na transição.

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