Trump enviará armas pesadas a milícia curdo-síria para recuperar Al Raqqa

Washington, 9 mai (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou o envio de armas pesadas à principal milícia curdo-síria, a Unidade de Proteção do Povo (YPG), para recuperar a cidade de Al Raqqa, no norte da Síria, informou nesta terça-feira o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer.

"Ontem, o presidente autorizou o Departamento de Defesa para fornecer aos elementos curdos das Forças da Síria Democrática (FSD) o que for necessário para garantir uma clara vitória em Al Raqqa", indicou Spicer em sua entrevista coletiva diária.

A decisão de Trump pretende apoiar as operações da principal milícia curdo-síria, a YPG, que faz parte da FSD, para reconquistar o controle de Al Raqqa, principal reduto do Estado Islâmico.

O envio de armas pesadas à YPG ignora a opinião do governo da Turquia, que considera a milícia como uma extensão da organização terrorista curda que opera no país.

No entanto, os EUA consideram os curdos como o parceiro de combate mais eficaz contra os jihadistas no norte da Síria.

Perguntado se Trump tinha informado o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, sobre a nova postura da Casa Branca, Spicer disse desconhecer qualquer diálogo entre os líderes.

"Conhecemos as preocupações de nossos aliados da coligação na Turquia, e queremos reforçar ao governo turco de que os EUA estão comprometidos em proteger seu aliado na Otan", disse Spicer.

Erdogan visitará Trump em Washington na próxima semana. Um dos principais conselheiros do presidente turco, Ibrahim Kalin, se reuniu com o subsecretário de Estado, Thomas Shannon, hoje.

O diretor-adjunto para a Síria e o Líbano do Ministério das Relações Exteriores da Turquia, Mustafa Yurdaku, afirmou na semana passada que o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), filiado a YPG, é tão terrorista quanto o Estado Islâmico. Por isso, o país era contrário a qualquer tipo de apoio à milícia curdo-síria.

O secretário de Defesa dos EUA, Jim Mattis, indicou que conversou com a Turquia para diminuir as tensões sobre uma aliança americana com os curdo-sírios na luta contra os jihadistas.

"Vamos solucionar isso", garantiu Mattis.

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