Um santuário centenário preparado para se abrir ao mundo

Paula Fernández.

Lisboa, 9 mai (EFE).- A pequena cidade de Fátima, no centro de Portugal, se enfeitou para receber o papa no santuário erigido no lugar exato onde a Virgem apareceu para três crianças pastoras e ao qual a cada ano peregrinam milhões de fiéis.

Nada restou daquele descampado com azinheiras chamado Cova da Iria, no qual em 1917 os jovens pastores Francisco, Jacinta e Lúcia contaram ter visto uma "a senhora" que lhes confiou três segredos.

Fátima era uma pequena aldeia rural, pobre e católica onde viviam poucas centenas de pessoas. Hoje tem quase 12 mil habitantes que vivem por e para um santuário que ocupa 72 mil metros quadrados e que a cada ano se vende ao mundo através dos milhões de peregrinos que recebe.

Em 2017, o desafio é significativamente maior, porque todos os olhos da comunidade católica estarão voltados para Fátima, que se tem se submetido nos últimos meses a uma grande reformulação.

As atenções estarão na Capelinha das Aparições, coração do santuário e construção mais antiga do recinto, onde começará a visita do papa Francisco, que participará da procissão das velas e da oração noturna do rosário.

Esta pequena ermida popular se mantém quase tal e como foi erguida em 1919, apesar de dois anos depois parte dela ter sido reconstruída após um atentado com explosivos cometido por um grupo "antifatimista".

A maior renovação em relação à visita papal ocorreu na esplanada exterior do complexo, que foi asfaltada.

A imagem de Nossa Senhora de Fátima, em um pedestal colocado onde estava a azinheira sobre a qual apareceu a Virgem, domina a capela que concentrou em suas origens a fé de uma sociedade marcada pela Primeira Guerra Mundial, a tensão da chegada da República e epidemias como a tuberculose e a gripe espanhola.

Foi justamente a gripe espanhola que provocou a morte de duas das crianças pastoras poucos anos depois das aparições, deixando como única sobrevivente Lúcia, falecida em 2005, aos 97 anos, após uma vida dedicada à Ordem das Carmelitas Descalças.

Os corpos dos três descansam em outro edifício do santuário, a Basílica de Nossa Senhora do Rosário, inaugurada em 1953 em pleno auge da ditadura em Portugal.

Este templo, que fica estrategicamente no lugar mais elevado do complexo, foi objeto de importantes obras de restauração e conservação para receber o pontífice.

Na esplanada está prevista uma missa para o próximo sábado, durante a qual o papa canonizará dois dos pastores, os irmãos Jacinta e Francisco.

O outro grande templo de Fátima é a Basílica da Santísima Trindade, o maior do complexo, com capacidade para mais de 8.600 pessoas sentadas e um imponente altar no qual há espaço para uma centena de sacerdotes.

Inaugurado em 2007, este é o templo mais monumental e rico construído na história recente de Portugal e conta com várias obras artísticas em suas imediações, como a Cruz Alta de 34 metros de altura e construída em aço pelo escultor alemão Robert Schad.

Em sua entrada também começou a ser montado na semana passada um rosário de 26 metros de altura criado pela artista portuguesa Joana Vasconcelos, que será iluminado na chegada do papa e que terá suas luzes acesas todas as noites até 13 de outubro, quando será lembrada a sexta e última aparição mariana em Fátima.

Esta obra faz referência ao rosário de contas brancas que a Virgem tinha nas mãos durante as aparições na vila portuguesa, segundo o testemunho dos pastorinhos, e que se converteu em uma pertinência comum a todos os peregrinos que chegam a Fátima.

Com o rosário nas mãos, a Virgem fez três revelações às crianças, conhecidas como os três segredos de Fátima.

O primeiro alertava sobre a morte prematura de dois deles, e o segundo para o final da Primeira Guerra Mundial, o início da Segunda e o fim do comunismo.

O terceiro, revelado pela igreja no ano 2000, fazia referência ao assassinato de um "bispo vestido de branco", o que foi interpretado como o atentado a tiros sofrido por João Paulo II em 1981.

O pontífice, convencido de que Nossa Senhora de Fátima tinha impedido sua morte, doou a bala extraída de seu abdômen ao santuário e atualmente está incrustada na coroa que descansa sobre a imagem da Virgem na Capelinha das Aparições.

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