Chanceler austríaco pede continuidade de grande coalizão apesar de crise

Viena, 10 mai (EFE).- O chanceler federal e chefe do Partido Social Democrata da Áustria (SPÖ, sigla em alemão), Christian Kern, apostou nesta quarta-feira pela manutenção da grande coligação com o Partido Popular (ÖVP), apesar da renúncia do vice-chanceler e líder desta legenda, Reinhold Mitterlehner, devido às diferenças internas no governo.

Kern reconheceu que nos últimos meses a coalizão viveu "altos e baixos" e "muitas brigas", mas também disse que "houve muitas conquistas" e pediu que o Executivo continue funcionando até o final da legislatura, no segundo semestre de 2018.

Kern, escolhido chanceler há um ano após uma crise interna no SPÖ, mencionou entre os sucessos a tendência à redução do desemprego e a melhoria do crescimento econômico nos últimos meses.

"Estou convencido de que nosso país necessita de reformas e de que a Áustria tem todas as condições para estar no topo", comentou o chanceler federal em uma declaração para a imprensa.

Por isso, Kern ofereceu ao ÖVP e a Sebastian Kurz, atual ministro das Relações Exteriores e o nome mais cotado para substituir Mitterlehner, uma "colaboração reformista".

Além disso, o chanceler federal pediu para que seja aproveitado o tempo que resta até as próximas eleições gerais regulares.

"Se quisermos, podemos conseguir essas reformas", assegurou o chefe do governo austríaco.

Mitterlehner tinha anunciado pouco antes sua renúncia ao cargo de vice-chanceler e de líder do ÖVP aludindo, precisamente, tanto aos enfrentamentos internos na coalizão como à conflituosa situação em seu próprio partido.

Nos últimos meses, as duas legendas, que governam juntas desde 2007, entraram em rota de colisão em assuntos que vão desde a política fiscal até a estratégia sobre imigração e uma reforma educativa.

Mitterlehner também afirmou que não está na política para "guardar o lugar para ninguém", em aparente referência a Kurz, o político mais popular do país e que os meios de comunicação indicam há algum tempo como o futuro chefe do ÖVP.

O próprio Kurz, que tem apenas 30 anos de idade e defende políticas duras contra a imigração, afirmou ontem que não deseja assumir a liderança do partido na atual situação de divisão que ele vive.

Há algum tempo a imprensa austríaca especula que poderá haver a realização de eleições antecipadas este ano ou no primeiro semestre do ano que vem, ao invés de na segunda metade de 2018, como estava previsto.

Por outro lado, o eurocético Partido Liberal (FPÖ) lidera as últimas pesquisas de intenção de voto, com 30%, um ponto percentual a mais que o SPÖ e nove à frente do ÖVP.

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