Senador faz alerta contra nova investigação de vínculos entre Trump e Rússia

Washington, 10 mai (EFE).- O líder do Partido Republicano no Senado dos Estados Unidos, Mitch McConnell, fez um alerta nesta quarta-feira contra as demandas "partidárias" para que um procurador especial independente investigue os possíveis vínculos entre a campanha do presidente Donald Trump e o governo da Rússia, após a demissão fulminante do diretor do FBI, a polícia federal investigativa do país.

James Comey, agora ex-diretor do FBI, liderava uma investigação sobre possíveis relações entre a campanha de Trump e o governo russo nas eleições de 2016 e, após a decisão do presidente de exonerá-lo, os democratas estão exigindo que um procurador independente seja designado para o caso.

No entanto, McConnell afirmou hoje em um discurso no Senado que qualquer nova investigação pode "impedir" as que já estão em andamento.

Além disso, McConnell questionou o fato de os democratas estarem criticando a demissão de Comey depois que eles mesmos "criticaram repetidamente" o agora ex-chefe do FBI.

Segundo o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, durante um comparecimento feito ontem para informar sobre a exoneração de Comey, Trump "agiu com base em recomendações claras do vice-procurador-geral, Rod Rosenstein, e do procurador-geral, Jeff Sessions".

O próprio Trump enviou uma carta a Comey, que estava em visita à Califórnia quando a notícia veio à tona, o informando sobre sua destituição "com efeito imediato".

"Apesar de ter um enorme apreço pelo fato de o senhor ter me informado em três ocasiões distintas que não estou sendo investigado, mesmo assim, estou de acordo com a conclusão do Departamento de Justiça de que o senhor não é capaz de liderar eficazmente o FBI", disse Trump na carta, em aparente alusão à investigação da polícia federal americana sobre os vínculos entre a campanha eleitoral do governante republicano e a Rússia.

De acordo com Rosenstein, o agora ex-chefe do FBI perdeu seu emprego por violar os princípios do Departamento de Justiça ao falar publicamente sobre a investigação do uso de um servidor de e-mail particular para assuntos de Estado por parte de Hillary Clinton quando ela ocupava o cargo de titular do Departamento de Estado, entre os anos de 2009 e 2013.

No entanto, o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, comentou hoje que há "poucos motivos para acreditar" na explicação de Rosenstein, a quem pediu que nomeasse um procurador especial para investigar os possíveis laços entre a campanha de Trump e o governo russo, porque isto seria "um passo na direção correta".

"A demissão do diretor Comey estabelece um padrão muito preocupante", enfatizou Schumer ao pedir que o assunto seja investigado "a fundo", porque, segundo ele, o que está em jogo é "a fé do povo americano" no Poder Executivo e nas instituições do país.

A senadora Dianne Feinstein, presidente da Comissão Judicial do Senado, também insistiu no Twitter e em um comunicado sobre a necessidade de se nomear "um procurador independente para supervisionar a investigação sobre a Rússia" e disse que planeja trabalhar a respeito com o senador Richard Blumenthal.

Blumenthal foi hoje o alvo das críticas de Trump, que o acusou no Twitter de ser "uma das maiores fraudes militares da história" dos EUA, em referência a uma velha controvérsia envolvendo o senador sobre seu papel na guerra de Vietnã.

Também no Twitter, Trump disse hoje que até os democratas tinham perdido a confiança em Comey e queriam sua saída, e prometeu que ele será substituído por alguém que devolverá o "prestígio" ao FBI.

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