Lilian Tintori: "Posição do Papa em relação à Venezuela é inaceitável"

Eduardo Davis.

Brasília, 11 mai (EFE).- A opositora venezuelana Lilian Tintori disse nesta quinta-feira à Agência Efe, em Brasília, que a "insistência do papa Francisco" em "um diálogo" com o governo de Nicolás Maduro é "inaceitável" e que queria ver o Vaticano "defendendo os direitos humanos".

Em entrevista antes de ser recebida pelo presidente Michel Temer, Tintori afirmou que a "única" solução para a crise na Venezuela "são eleições imediatas", pois o governo de Maduro "não aceita" as "condições mínimas" para um diálogo.

Entre elas, Tintori citou a "urgente necessidade" de libertação dos presos "políticos", entre eles seu marido, Leopoldo López, que está detido em uma penitenciária militar desde o começo de 2014 em condições que ela classificou como "desumanas".

Como exemplo, Tintori citou os 35 dias em que seu marido ficou "isolado", coincidindo com a nova onda de manifestações que, há mais de um mês, abala diariamente o país.

"Finalmente pude vê-lo no domingo, e ele não tinha ideia do que estava acontecendo nas ruas, não sabia de nada dos protestos, porque não lhe permitem se informar de nada do que acontece fora da prisão", contou.

Tintori lembrou que o Vaticano já esteve entre os mediadores de um diálogo entre o governo e a oposição que "foi um fracasso", já que "nenhuma" das demandas apresentadas pelos adversários do chavismo "foram "escutadas" pelo presidente Maduro.

Segundo Tintori, ao contrário do que argumenta o papa Francisco, que criticou as supostas "divisões" nos setores que se opõem a Maduro, "a oposição está unida" e "decidida" a atingir o objetivo de que sejam convocadas umas eleições gerais, com plenas garantias democráticas.

"Lamentavelmente, não há mais vias para um diálogo, pois não se pode dialogar tendo presos políticos, por isso gostaríamos de ver o papa defendendo a vida e os direitos humanos do povo "que "sai às ruas todos os dias para pedir liberdade", afirmou.

Tintori, que participa quase diariamente dessas manifestações que ocorrem todos os dias desde 4 de abril, denunciou também a "brutal repressão", que desde então deixou pelo menos 39 mortos, centenas de feridos e cerca de 2.000 detidos.

"Na Venezuela há uma guerra entre os que querem liberdade e democracia, e a ditadura", frisou a opositora, que alegou que nesta nova onda de manifestações e protestos "há um somente lado que está armado" e "exerce a violência", referindo-se ao governo.

Para ela, para além de uma "oposição unida" e "nas ruas com seu protesto pacífico", a "pressão internacional" será um fator fundamental para "devolver a democracia a Venezuela".

Tintori disse considerar que a "voz" de países como Brasil e Argentina ou a posição adotada pelo secretário geral da Organização de Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, representam uma "esperança para os venezuelanos".

A opositora também argumentou que "os governos devem denunciar o que acontece na Venezuela" com o fim de "ficar do lado correto da história" e defendeu que os órgãos internacionais que seu país integra exerçam a "necessária pressão", até impondo "sanções".

Tintori elogiou, neste sentido, uma iniciativa da Câmara dos Deputados brasileira, que prepara um encontro de parlamentares da América Latina "em defesa da democracia" na Venezuela, previsto para a última semana de maio em Brasília.

"O que mais atingiu a ditadura foi a pressão internacional, por isso esse tipo de esforços incentivam a continuar e a entender que a Venezuela não está só", opinou.

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