ONU afirma que acesso humanitário desde acordo de Astana não melhorou ainda

Genebra, 11 mai (EFE).- A ONU afirmou nesta quinta-feira que o acesso humanitário não melhorou desde o acordo de Astana para criar áreas de distensão na Síria e insistiu em que esta situação deve mudar para que possam entrar cinco comboios por semana nos locais onde há civis assediados, em vez de somente um como agora.

O coordenador humanitário da ONU para a Síria, Khan Egeland, disse em coletiva de imprensa que "há esperança", mas que tudo vai depender do acordo assinado no dia 4 de maio na capital cazaque pelos três países fiadores do cessar-fogo na Síria: Rússia, Irã e Turquia.

Do ponto de vista humanitário, o acordo estabelece que haverá acesso rápido, seguro e sem obstáculos da ajuda, que serão dadas as condições para a distribuição de assistência médica e para cobrir as necessidades básicas dos civis, e que tomarão medidas para restabelecer as infraestruturas básicas.

Apesar disso, Egeland destacou: "Para ser honesto, desde o acordo de Astana só conseguimos um comboio por semana, porque as partes em conflito não dão as permissões necessárias".

"O que esperamos é ter no próximo ciclo de sete dias cinco comboios", disse, mas admitiu que a ONU não dispõe ainda das cartas de facilitação e permissão de todas as partes para carregar os caminhões, receber segurança e fazer os controles.

O último comboio semanal foi para Wadi Barada (noroeste de Damasco), disse Egeland, que trabalha para enviar outro a Guta Oriental (província de Damasco), cercada pelo regime e onde 394.600 sírios precisam de ajuda.

Segundo Egeland, Rússia, Turquia e Irã lhe explicaram na quarta-feira e hoje que trabalharão de maneira "aberta e proativa com a ONU e os parceiros para aplicar o acordo".

"Temos um milhão de perguntas e dúvidas, mas não podemos nos dar ao luxo (...) de dizer que não funcionará. Precisamos que funcione", afirmou Egeland.

"Os três assinantes do acordo têm uma grande responsabilidade, mas também a ONU, para poder melhorar as vidas nas áreas assediadas pelo regime e pela oposição, que incluem todo Deir al Zur, que está sob controle do (grupo jihadista) Estado Islâmico e onde ainda há 95 mil sírios assediados", declarou coordenador humanitário.

No entanto, Rússia, Irã e Turquia ainda não combinaram que entidade ou país deve controlar a segurança e garantir o livre acesso humanitário às regiões em conflito, afirmou Egeland.

Segundo números da ONU, os sírios que vivem atualmente em áreas com difícil acesso passaram de 5 milhões para 4,5 milhões, e o numero de civis nas 13 zonas assediadas caiu em 25 mil, para 625 mil pessoas.

"Cerca de 80% vive sob assédio das forças governamentais ou de seus aliados", explicou Egeland.

Em Fua e Kefraya, o número de pessoas assediadas por grupos armados da oposição caiu para 12.000, e em Yarmuk, controlada pelo regime e também por forças da oposição, há 9.800 sírios nesta situação.

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