Teoria do Quarto Segredo de Fátima ressurge com viagem do papa Francisco

Cristina Cabrejas.

Cidade do Vaticano, 11 mai (EFE). - As teorias sobre um suposto Quarto Segredo de Nossa Senhora de Fátima revelado aos três pastorinhos reapareceram por ocasião da viagem do papa Francisco no final desta semana ao Santuário em Portugal pelo centenário das aparições, apesar de a Igreja, de forma unânime, continuar negando a existência de mais textos e garantir que cabem apenas novas interpretações.

Conhecido como "Quarto Segredo de Fátima", ele, na realidade, seria uma continuação do terceiro e último segredo revelado há 17 anos. Todos os papas que leram a terceira parte do segredo escrito pela única pastorinha ainda viva e que depois virou freira, Lucia, decidiram devolvê-lo aos arquivos do Santo Ofício.

João Paulo II, após o atentado de 13 de maio de 1981, decidiu publicá-lo em junho de 2000, "quando os tempos eram maduros". Foi o então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (ex- Santo Ofício) e futuro papa Bento XVI que se encarregou da interpretação teológica, confirmando as anteriores, sobre o atentado a um "bispo vestido de branco" (o papa) e as perseguições à Igreja mencionada nesse terceiro segredo.

O Vaticano garantia que eram mensagens relegadas ao passado e davam as interpretações dos três segredos por concluídas. Nos últimos anos, porém, vários livros foram publicados sustentando que a Igreja católica esconde o Quarto Segredo, como o título da obra de Antonio Socci ("Il Quarto Segreto di Fatima" - 2006 - sem tradução para o português) e por conta do centenário das aparições proliferaram os que apoiam estas teorias.

José María Zavala acaba de lançar "El secreto mejor guardado de Fátima: Una investigación 100 años después" (também sem tradução para o português), onde apresenta documentos considerados inéditos sobre os escritos de irmã Lucia, e o veterano vaticanista italiano Marco Tosatti assina o livro "Il segreto non svelato" (sem edição em português).

Filão literário ou realmente uma mensagem escondida pela Igreja? Essa é a pergunta que circula, enquanto Francisco prepara sua viagem ao Santuário de Fátima.

O jornalista da revista "Família Cristã" Saverio Gaeta, especializado nas aparições marianas, acaba de publicar "Fatima. Tutta la verità" (sem versão para o português) e em uma conversa com a Agência Efe defende que a Igreja "não contou tudo".

Gaeta apresenta evidências de até 12 incongruências ou versões duplas de como o Terceiro Segredo tem sido tratado pelo Vaticano e se baseia nas cartas inéditas de irmã Lucia, publicadas há um ano pelas freiras de Coimbra.

"O ex-secretário de Estado Tarcisio Bertone mostrou na apresentação dois envelopes lacrados que continham o Terceiro Segredo. Por que apresentar dois envelopes diferentes? Além disso, em outras declarações tanto Bertone quanto Loris Capovilla - secretário de João XXIII -, deram indícios que fazem pensar na possibilidade da existência de uma segunda parte", explicou Gaeta.

O jornalista começa sua investigação com as palavras que a Virgem teria ditado à Lucia e que ela escreve em uma destas cartas inéditas, que provariam a existência de dois textos. De acordo com os textos, a santa teria dito para Lucia escrever exatamente o que ouvisse e não o que entendesse.

Nas cartas, datadas em 1944, apareceriam termos novos ditados pela Virgem como o da "espada de fogo" e o da chegada de uma "guerra", que para Gaeta podem ser interpretados com o perigo de um conflito nuclear.

"Se este texto existe e não foi publicado é porque não é agradável", acrescenta o jornalista.

Carlos Alberto de Pinho Moreira Azevedo, bispo português coordenador do Conselho Pontifício para a Cultura, também publicou recentemente um livro - "Fátima - das visões dos pastorinhos à visão cristã" - e garante à Efe que "as novas interpretações do segredo são fantasiosas".

"É fácil criar versões com leituras nas entrelinhas e tem gente que fica feliz porque prefere uma mensagem catastrofista", completou.

Ele considera que as visões proféticas de Nossa Senhora aos pastorinhos são sempre contemporâneas, mas que "releituras" - como a atual perseguição aos católicos e os "atuais novos mártires" ou a "conversão da Igreja, que é o que Francisco está fazendo tentando incentivar as pessoas a viverem como Jesus - podem existir.

"A mensagem de Fátima é atual também quando diz que veremos novas guerras se não mudarmos nossos critérios", advertiu.

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