Choques na grande coalizão austríaca abrem caminho para novas eleições

Viena, 12 mai (EFE).- O chanceler da Áustria, o social-democrata Christian Kern, ameaçou nesta sexta-feira romper a grande coalizão com os conservadores e buscar outras alternativas, em meio ao pedido de antecipação das eleições feito por dirigentes do parceiro de governo.

"Não queremos novas eleições. Continuaremos tentando chegar a soluções políticas efetivas no Parlamento. Se for necessário, também com maiorias mudáveis", expressou Kern em declarações ao jornal "Die Presse".

A advertência de ruptura com o Partido Popular austríaco (ÖVP, conservador) chegou em resposta a declarações do ministro de Relações Exteriores e possível novo chefe desta formação, Sebastian Kurz, que pedia eleições antecipadas.

As eleições deveriam ser realizadas a partir de setembro de 2018, mas a tensão na grande coalizão, que está no governo nos três últimos mandatos, desde 2007, poderia causar uma antecipação de 12 meses.

Kurz, que aos 30 anos é o político mais bem avaliado do país, disse em uma breve declaração à imprensa que realizar eleições antecipadas seria o caminho certo.

Nos últimos meses, as duas formações se enfrentaram em assuntos que vão desde a política fiscal até a estratégia sobre imigração e uma reforma na educação. Dessa forma, Kurz rejeitou a oferta que Kern o fez na quarta-feira, de esgotar o mandato e desenvolver juntos políticas reformistas.

O político conservador pode assumir neste domingo a presidência do ÖVP, após a renúncia do até então líder e vice-chanceler Reinhold Mitterlehner no meio da semana.

Kurz não quis esclarecer se vai se candidatar ao cargo, mas impôs como condições ter autoridade para decidir a linha do partido e quem ocupará o cargo de confiança.

Também aposta pela realização de eleições antecipadas o eurofóbico e ultranacionalista partido liberal FPÖ, ao qual as pesquisas de intenção de voto dão 30%, um ponto percentual acima do social democrata SPÖ e nove a mais que o ÖVP.

No entanto, com Kurz à frente, o Partido Popular austríaco pode ter chances de elevar sua intenção de voto e, segundo alguns analistas, tentar uma coalizão com os ultras. ÖVP e FPÖ já governaram juntos entre os anos 2000 e 2007.

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