Francisco Marto, o pequeno pastor de Fátima empenhado em consolar Jesus

Paula Fernández.

Lisboa, 12 mai (EFE).- Francisco Marto (1908-1919), um dos pastorinhos que disse ter visto a Virgem em Fátima em 1917 e que será canonizado neste sábado pelo papa Francisco, dedicou sua curta vida à tarefa de consolar Jesus pelos pecados do mundo.

O menino assistiu às aparições da Virgem junto com a irmã Jacinta e sua prima Lúcia, uma vivência que o impressionou até tal ponto que, nos dois anos em que viveu após os eventos, dedicou sua vida a rezar o rosário para tentar acabar com o sofrimento de Deus.

Francisco era um menino a mais do Portugal rural da época: nasceu em 1908 na aldeia de Aljustrel, em Fátima, em uma família humilde e católica dedicada ao trabalho no campo.

A iconografia o representa vestido com calças compridas, paletó curto e um capuz típico que lhe chegava até os ombros, como aparece no retrato oficial de sua canonização.

A maioria dos detalhes conhecidos atualmente sobre sua personalidade procede das memórias de sua prima Lúcia, a única dos três videntes que viveu além da infância e que foi freira até sua morte, em 2005.

"Francisco não parecia irmão de Jacinta, com exceção de seu rosto e, na prática, das virtudes. Não era como ela, caprichoso e vivo; era totalmente o contrário, natural, pacífico e condescendente", dizia Lúcia, acrescentando que ele gostava de tocar pífano, uma pequena flauta que carregava.

Da mesma forma que sua irmã, não frequentava a escola e se dedicava a cuidar do rebanho da família em uma região chamada Cova da Iria, onde presenciou seis aparições da Virgem, entre os dias 13 de maio e 13 de outubro de 1917.

Esta vivência deixou Francisco completamente impressionado, marcado por uma das missões que a Virgem lhes tinha dado: a de consolar Jesus pelos pecados do mundo.

"Francisco passou a ser mais comprometido, sobretudo com o que entendeu como o sofrimento de Deus. Era muito sensível à percepção de que Deus estava triste porque os homens se afastavam dele. Desejava ficar sozinho, mas só com Deus", explicou em declarações à Efe a postuladora da causa de sua canonização, Ângela Coelho.

Após a primeira aparição, Francisco buscou refúgio em "Nosso Senhor escondido" e se separava de sua irmã e sua prima para rezar o rosário sozinho e para "pensar em Deus".

Por isso, pode-se dizer que Francisco "recebeu o dom da contemplação", como confirma Ângela Coelho, destacando que ele era o único dos três videntes que não conseguia ouvir o que a Virgem dizia.

No entanto, esta diferença nunca lhe importou nem o fez se sentir menosprezado em relação a sua irmã e sua prima, e ficou igualmente comprometido como elas com a mensagem transmitida pela Virgem.

"É uma lição para nosso tempo. Francisco aceitava sua condição de alguém que somente podia ver e se entregou a sua parte do mistério tal e como era", disse Coelho, explicando que os três videntes "entenderam que o mais importante era aceitar com paciência as dificuldades da vida".

Com essa paciência, Francisco encarou os dias em que ficou na prisão de Vila Nova de Ourém sob constantes interrogatórios sobre o que tinham ouvido da Virgem. Lá, segundo Lúcia, o menino "se mostrou bastante animado e tentava alegrar Jacinta nos piores momentos".

No outono de 1918, Francisco e sua irmã Jacinta contraíram gripe espanhola e não demoraram a morrer, algo que a Virgem já lhes tinha revelado durante as aparições.

Francisco faleceu em casa na noite de 4 de abril de 1919, um dia após receber a comunhão, e foi enterrado no cemitério de Fátima.

Em março de 1951, seus restos mortais foram levados para a Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, onde estão hoje.

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