Grande ciberataque afeta Telefónica e outras empresas da Espanha

Madri, 12 mai (EFE).- O governo da Espanha confirmou nesta sexta-feira que vários empresas do país, entre elas a Tefónica, foram alvos de ciberataques, mas a prestação de serviços aos usuários e a operação das redes estão mantidas.

A Telefónica foi obrigada a formatar vários computadores de sua rede corporativa como medida preventiva depois de detectar problemas em centenas de dispositivos por causa de um "ransomware", um vírus que criptografa arquivos e que também afetou outras companhias, como a Iberdrola, a Vodafone e a Indra.

Também como precaução, os ministérios e organismos dependentes do governo decidiram desconectar os equipamentos da rede. Segundo fontes do Ministério de Energia, Turismo e Agenda de Digital, não foram registrados casos de infecção na administração geral do país.

Em um comunicado, o mesmo ministério indicou que o ataque afetou pontualmente equipamentos informáticos de empregados de várias empresas e que estava trabalhando com as companhias prejudicadas para solucionar o incidente o mais rápido possível.

"O ataque não compromete a segurança dos dados nem gera o vazamento dos mesmos", indicou a nota.

Apesar das garantias, a Organização de Consumidores e Usuários (OCU) destacou a necessidade de proteger os dados pessoais contra esses ciberataques.

O Instituto Nacional de Cibersegurança da Espanha (Incibe) elaborou um diagnóstico do ocorrido nas empresas afetadas e ofereceu ajuda para solucionar os problemas. Além disso, os técnicos também estão prestando assessoria para prevenir outros ataques.

As equipes de resposta a incidentes cibernéticos nacionais estão em contato com as companhias afetadas e são auxiliadas pelo Centro Nacional para a Proteção das Infraestruturas Críticas do Ministério do Interior.

O Incibe explicou que o ataque em massa foi provocado por um vírus do tipo "ransomware". Após se instalar no equipamento, ele bloqueia o acesso aos arquivos e pede um resgate.

Além disso, o órgão alertou que a praga poderia infectar os demais computadores vulneráveis da rede.

O método de infecção e propagação do vírus ocorre aproveitando uma vulnerabilidade do sistema operacional Windows.

No caso das empresas afetadas, segundo o Incibe, o vírus foi escondido em algum anexo baixado por algum funcionário. A partir disso, se espalhou pelos computadores vulneráveis da rede.

O vírus em questão é uma variante de versões anteriores do "WannaCry", que ataca especialmente o Windows. Após infectar e criptografar os arquivos, ele pede um valor em bitcoins para liberar os dados que foram "sequestrados".

O Incibe disse que oferece um serviço gratuito de análise e descodificação de arquivos afetados por certos tipos de "ransomware". Além disso, pediu que as empresas não paguem para recuperar os arquivos, já que os ataques foram feitos por "ciberdelinquentes" e não há garantia de retorno após o pagamento.

O Ministério do Interior da Espanha afirmou que os serviços essenciais do país não foram afetados.

Para o diretor executivo da S21sec, empresa especializada em cibersegurança, Agustín Muñoz-Grande, o ataque de hoje foi "indiscriminado", afetou outros países e é "especialmente virulento" por combinar um malware com um sistema de propagação que utiliza uma vulnerabilidade detectada na Microsoft.

Segundo o Internacional Business Report da consultoria Grant Thornton, 32% das médias e grandes empresas da Espanha admitem terem sofrido pelo menos um ataque cibernético nos últimos 12 meses.

Essa porcentagem está um ponto acima do registrado um ano antes, quando o índice ficou em 31%, e no mesmo nível da União Europeia.

A UE é a região na qual o "cibercrime" está mais generalizado, tendo a maior média do mundo (31%). Depois, os continentes mais afetados são a África (29%) e a América do Norte (24%).

No entanto, 46% das empresas europeias questionadas se recusa a comentar o impacto concreto dos ciberataques sofridos.

A Espanha é o nono país na Europa que produz mais códigos maliciosos, uma lista liderada por Alemanha e Rússia. Em nível mundial, Estados Unidos, Chile e Brasil estiveram nas primeiras posições do ranking em 2016, segundo um relatório da empresa de segurança Symantec.

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