Partido de Martinelli nega ter recebido dinheiro da Odebrecht em campanha

Panamá, 11 mai (EFE).- O porta-voz do ex-presidente do Panamá, Ricardo Martinelli, Luis Eduardo Camacho, negou nesta quinta-feira que seu partido recebeu dinheiro da construtora Odebrecht para apoiar a seu candidato à presidência durante a campanha eleitoral de 2014, como o confessaram colaboradores da Justiça brasileira.

"Não entrou nenhum dinheiro nas contas do partido Mudança Democrática proveniente da Odebrecht ou de qualquer empresa vinculada a Odebrecht", disse Camacho, membro do partido, à emissora local "TVN".

O porta-voz afirmou que isso pode ser comprovado nas auditorias realizadas a cada três meses pela oposição no Tribunal Eleitoral do Panamá (TE), onde em seguida é colocada em seu site oficial.

Camacho fez essas declarações após a confissão da publicitária Mônica Moura, de que a Odebrecht, em um acordo com o então presidente Martinelli (2009-2014), financiou ilegalmente com US$ 16 milhões, a campanha de José Domingo Arias, que foi derrotado em 2014.

Mônica Moura e seu marido, João Santana, responsáveis pelas campanhas vencedoras do Partido dos Trabalhadores (PT) em 2006 (com Luiz Inácio Lula da Silva), 2010 e 2014 (com Dilma Rousseff), chegaram a um acordo para colaborar com a Justiça, em troca pelas redução de suas condenações.

As delações do casal foram divulgadas nesta quinta, depois que o ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), revelasse o conteúdo dos depoimentos.

Segundo Mônica e João, a maior parte dos recursos para a campanha eleitoral de Arias foi paga ilegalmente pela Odebrecht com recursos não declarados e depósitos feitos no exterior.

A publicitária disse em sua delação que seus trabalhos no Panamá foram intermediados pelo diretor-geral da Odebrecht no país, André Rabello, quem os contatou pedindo ajuda para o candidato apoiado por Martinelli.

Ela afirmou que o valor da campanha, US$ 21 milhões não declarados, foi estipulado em uma reunião com Martinelli e Rabello.

Na reunião, foi lembrado que o partido pagaria US$ 4,5 milhões, o então presidente US$ 500 mil e a Odebrecht, US$ 16 milhões.

Pouco tempo depois de saber das confissões, Martinelli, que reside em Miami (Estados Unidos) desde janeiro de 2015, disse através de sua conta no Twitter que: "Santana está mentindo ao dizer que lhe dei dinheiro. A verdade é que ele se vendeu para Nicolás Maduro, fazendo uma campanha ruim para que vencesse o (atual presidente, Juan Carlos) Varela" e não Arias nas eleições realizadas em maio de 2014.

Em fevereiro, Varela revelou seus patrocinadores para demonstrar que não tinha recebido doações da Odebrecht, como disse seu ex-ministro conselheiro Ramón Fonseca Mora, sócio do escritório de advocacia Mossack Fonseca, e pediu que seus adversários façam o mesmo.

O ex-candidato do Partido Revolucionário Democrático (PRD), Juan Carlos Navarro, publicou a lista de doadores de sua campanha 11 dias depois que Varela.

A Odebrecht é a principal empreiteira do Panamá e executa atualmente projetos de infraestrutura que superam os US$ 3 bilhões. EFE

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