A arte da Lava Jato: de Miró a Vik Muniz

Alba Santandreu

Curitiba (Brasil), 13 mai (EFE).- Uma gravura do espanhol Joan Miró, outras seis de seu compatriota Salvador Dalí e várias colagens do brasileiro Vik Muniz estão expostas no museu "da Lava Jato", uma sala que guarda entre suas paredes as obras compradas com dinheiro sujo da corrupção.

O sinuoso edifício desenhado pelo arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer e que leva seu nome, ganhou uma nova função desde 2015: custodiar as obras apreendidas pela justiça de envolvidos no escândalo de corrupção investigado pela Operação Lava Jato.

O museu fica localizado na cidade de Curitiba, epicentro das investigações que enviaram à prisão importantes políticos, empresários e executivos envolvidos em corrupção na Petrobras.

Entre eles figura o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, proprietário da gravura de Joan Miró que está pendurada na primeira parede da sala que o Museu Oscar Niemeyer (MON) dedicou às obras apreendidas na operação anticorrupção.

O museu tem sob custódia um total de 200 obras de arte, que serão preservadas e conservadas, embora não restauradas, segundo explicou à Agência Efe a diretora-presidente do MON, Juliana Vosnika.

Vosnika não ofereceu detalhes sobre o valor e propriedade das peças, que têm a assinatura de importantes artistas como Alfredo Volpi, Di Cavalcanti e Nelson Leirner, entre outros.

"As obras chegaram em diferentes lotes e o Museu Oscar Niemeyer foi escolhido (pela justiça) por ter condições técnicas para recebê-las e guardá-las", disse a presidente do MON.

As investigações da Petrobras revelaram a forma na qual alguns dos acusados compravam joias e obras de arte para lavar o dinheiro sujo da corrupção.

O juiz brasileiro Fausto de Sanctis, autor do livro "Lavagem de dinheiro através das obras de arte", assegurou que este mercado facilita a lavagem de fundos por sua discrição e falta de controles, os quais - precisou - foram reforçados no Brasil após o começo da Lava Jato.

"Existe uma vulnerabilidade do setor de arte devido à facilidade com a qual crime circula nesse mercado", assegurou à Efe De Sanctis, um dos maiores especialistas do tema no Brasil.

A seu julgamento, o mercado da arte é ideal para o lavagem de dinheiro porque é "confidencial", "garante o anonimato" dos compradores e vendedores e oferece uma "grande mobilidade sem nenhum tipo de resistência por parte das autoridades ".

No caso da Lava Jato, as obras de arte confiscadas e expostas no museu foram incluídas em uma rota turística criada em Curitiba para entender a operação que pôs em xeque a política brasileira.

O tour também inclui uma parada na prisão onde estão alguns envolvidos, bem como uma visita ao Tribunal onde trabalha o juiz Sergio Moro.

Este mesmo tribunal foi o centro de atenção do Brasil na quarta-feira, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou depoimento de maneira presencial pela primeira vez perante Moro, responsável pelo caso Petrobras e conhecido pela dureza de suas sentenças.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos