China procura apoio global a projeto da Novas Rotas da Seda

Rafael Cañas

Pequim, 13 mai (EFE).- A China buscará nos próximos dois dias consolidar o apoio internacional à iniciativa das Novas Rotas da Seda entre tentativas do exterior para que o projeto seja aberto ao financiamento e participação de outros países.

Líderes e delegações de mais de cem nações continuam chegando neste sábado a Pequim para o fórum, que começa amanhã e com o qual o regime chinês procura consolidar sua imagem de liderança internacional a nível interior e exterior.

Em todo caso, por enquanto a China pode presumir o sucesso diplomata de sua aposta, pois responderam a seu convite 29 chefes de Estado e Governo, além de delegações de mais de cem países e organismos internacionais, incluindo aos máximos dirigentes das Nações Unidas, do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial.

No entanto, não estão presentes os líderes de países ocidentais como EUA, Canadá, Austrália, Alemanha, Reino Unido e França (mas os dois últimos se desculparam por seus processos eleitorais).

Mesmo assim, a presença de última hora de delegações dos EUA, Coreia do Sul (justo após a eleição do presidente Moon Jae-in), Japão (o principal rival de China no leste de Ásia) e até da Coreia do Norte terminou por dar maior enfoque a esta reunião, que volta a colocar Pequim como epicentro da política e economia global.

A ideia foi lançada pelo presidente Xi em 2013 e propunha criar "uma faixa econômica" pela Ásia Central e uma "Nova Rota da Seda" pelo Oceano Índico até Oriente Médio e África, conceito depois rebatizado sucessivamente como "Uma Faixa, uma Rota" e finalmente "Iniciativa da Faixa e da Rota".

Este mecanismo englobou a prática chinesa já existente de conceder empréstimos através de bancos chineses a esses países para que empresas - também chinesas - construam projetos sem licitação aberta.

Assim é possível lembrar de projetos em países da Ásia e África para a construção de terminais portuários, gasodutos, oleodutos, ferrovias, estradas e sistemas de telecomunicações com investimentos multimilionários.

Depois chegou o Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas (BAII), que começou a operar em 2016 promovido pela China e com sede em Pequim, e que procura ser uma alternativa a entidades como o Banco Mundial e o Banco Asiático de Desenvolvimento (com uma forte participação japonesa).

Na análise de projetos, concessão de empréstimos e gestão de licitações, o BAII funciona totalmente de acordo com escalas internacionais, e o maior uso desta entidade para a iniciativa chinesa abrirá mais oportunidades a outros países.

Boa parte das discussões mantidas nesta semana se centram nas tentativas de outros países para que a declaração final de segunda-feira inclua referências a esta abertura, de um projeto chinês a um mais global, segundo concordaram nos últimos dias várias fontes diplomáticas.

Embora Pequim trate esta iniciativa com slogans como "o presente da China ao mundo", numerosos analistas indicam que esta ideia pode favorecer o interesse geopolítico de Pequim em toda a região asiática e consolidar sua crescente esfera de influência.

Além disso, as novas infraestruturas melhorarão o acesso de produtos chineses a seus mercados exteriores, mas também facilitarão a chegada de matérias-primas para a gigantesca indústria deste país.

A América latina, inicialmente não incluída no plano chinês, está muito presente com os presidentes de Argentina e Chile e um ministro do Uruguai, já que seu comércio com o gigante asiático é cada vez maior, não só com suas tradicionais exportações de matérias-primas (cobre e petróleo).

Por exemplo, somente Brasil, Argentina e Chile representam 25% das importações chinesas de produtos alimentares.

O anúncio hoje de que Chile e Bolívia se unirão ao BAII elevou a cinco o número de países da região que se integram, aos quais previsivelmente se somará Argentina nos próximos dias, e reforça o lado latino-americano da iniciativa.

"Acreditamos que há muitos projetos que podem unir a Ásia com a América latina ou através da América latina, e que também podem unir o Atlântico ao Pacífico em direção a Ásia", destacou a presidente chilena, Michelle Bachelet, na sede do banco multilateral.

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