Sem exaltação, palestinos votam nas primeiras eleições municipais desde 2012

María Sevillano

Ramala (Cisjordânia), 13 mai (EFE).- Sem muita exaltação, com dados preliminares de participação que apontam para 49,89% e entre chamadas de boicote, os palestinos realizaram neste sábado na Cisjordânia suas primeiras eleições municipais desde 2012, na segunda convocação consecutiva na qual Gaza fica fora por decisão do Hamas.

"Tudo se desenvolveu com normalidade e não houve problemas significativos", comunicou à Agência Efe uma das porta-vozes da Comissão Central de Eleições, Juliana Zanayed, sobre esta jornada.

Estão aptos para ocupar cargos públicos 4.411 candidatos que se apresentaram em 536 listas eleitorais, informou o presidente da Comissão, Hanna Naser, que pediu que todos participassem e que as partes envolvidas nas eleições "respeitassem as condições para garantir o desenvolvimento do processo eleitoral de acordo com a normativa e a lei".

No total, 58,4% dos candidatos pertencem a listas independentes e o resto estão filiados a partidos políticos, sendo o nacionalista Al Fatah o que apresenta o maior número de candidaturas.

No total, foram disputados 1.561 assentos em 145 câmaras municipais, enquanto que 181 municípios serão governados pelos únicos candidatos que concorreram e em 65 não houve eleições porque não havia candidaturas.

Estas particularidades fizeram que dos 1.134.636 palestinos com direito ao voto, somente 787.386 puderam exercê-lo.

Os primeiros dados apontaram que a participação apenas superou 50% nas principais cidades: 38% em Jenin, 40% em Tulkarm, 65% em Tubas, 20% em Nablus, 53% em Qalqilyah, 58% em Salfit, 28% em Al-Bireh, 39% em Ramala, 80% em Hebron, 45% em Belém e 53% em Jericó.

A Comissão apontou que os resultados definitivos serão revelados nas 72 horas posteriores ao fechamento das urnas.

A palestina Neri Hawasha, originária de Ramala, passeava nesta manhã pelo colégio Al Mustaqbal (O futuro) da cidade cisjordaniana, habilitado como centro eleitoral, depois de votar por seu filho, um dos membros das quatro listas independentes que se propõem como representantes e gerentes do município.

Hawasha acredita que os candidatos têm um programa parecido baseado em "tentar fazer o melhor que podem e escutar as pessoas que necessitam", e assegura que entre as principais preocupações dos palestinos a nível local estão o desemprego e o mal estado das estradas.

Omar Asaf, uma cara conhecida na cidade por sua trajetória como ativista em diferentes movimentos sociais e políticos, concorre dentro da plataforma União Democrática, que segundo descreve aglutina ativistas e políticos de origem socialista.

As eleições "são uma necessidade, um dever democrático do povo palestino. A comunidade internacional e numerosa organizações pressionaram para que fossem parte do processo de construção de um estado que financiam e apoiam através da Autoridade Palestina", declarou à Agência Efe.

As autoridades do Hamas não permitiram a realização das eleições em Gaza e nem propuseram representantes na Cisjordânia e isso "é a pior coisa que podia acontecer", diz Asaf.

A decisão corresponde ao fato de que as autoridades islamitas não poderiam garantir a transparência do processo democrático no enclave costeiro.

"Foi um erro, deveríamos ter continuado com as eleições em ambos territórios para demonstrar uma postura democrática unida em Palestina", comenta Asaf.

Apesar das chamadas de boicote do Hamas, que assegura que não participará das eleições até o término da divisão interna que mantém com Al Fatah desde 2007, é possível que consigam certa representação no território cisjordaniano pelo apoio informal dado por alguns candidatos.

Outros partidos políticos, como a Yihad Islâmica e a Frente Popular para a Liberdade de Palestina, também decidiram boicotar as eleições.

Uma postura à qual se somou o Comitê Nacional de Apoio à Greve de Prisioneiros palestinos, que representa os 870 reclusos em cárceres de Israel, segundo cifras do Serviço de Prisões israelense, que permanecem em greve de fome há 27 dias para exigir melhoria nas condições da prisão.

O Comitê pediu há dias o cancelamento das eleições em solidariedade ao protesto, enquanto os atos de apoio ao coletivo assolaram a campanha eleitoral.

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