Sem teto e comida, famílias de jihadistas pedem refúgio a civis em Mossul

Yaser Yunes.

Mossul (Iraque), 13 mai (EFE).- Famílias de combatentes do grupo terrorista Estado Islâmico (EI) que fogem dos combates em Mossul perambulam pelas ruas dos bairros ocidentais ainda controlados pelos jihadistas. Sem teto e comida, pedem asilo aos civis que continuam cercados nestas áreas.

Os moradores consultados pela Agência Efe contaram que os membros da organização radical abandonaram agora os lares que roubaram de seus proprietários no oeste de Mossul, quando o EI impunha sua lei a ferro e fogo.

As crianças e as mulheres dos integrantes do EI passam as horas sentadas no que resta das ruas da cidade, pois não têm um lugar no qual se alojar, disse à Efe em uma conversa por telefone Ziad Zohir, um morador do bairro ocidental da Al Rifai, ainda sob poder do EI.

Zohir viu o grupo terrorista distribuir arroz e lentilhas às viúvas dos combatentes. Mas elas aproveitam para vendê-los aos moradores deste distrito. Para comprar dez quilos de arroz, os civis têm que pagar o equivalente a US$ 170.

Segundo seu "código moral" - contou ele -, os jihadistas não podem vender nenhum alimento aos iraquianos cercados. Mas, diante da necessidade, as famílias dos terroristas que fugiram ou morreram não têm outra maneira para conseguir dinheiro.

Zohir destacou que, a partir de agora, as famílias dos jihadistas vão conhecer em primeira mão o sofrimento que significa deixar um teto e ficar na rua, em referência ao que viveram os moradores de Mossul quando as tropas de Abu Bakr al Baghdadi conquistaram a cidade em junho de 2014.

Este desespero também desenhou um cenário que há alguns meses não se podia imaginar em Mossul: os jihadistas pedem aos civis que alojem suas famílias em suas casas.

Foi o que garantiu à Efe uma moradora do bairro de Al Nayar, identificada como Un Ali, que relatou que em uma ocasião um jihadista lhe disse na porta de sua casa: "Irmã, esta é minha família e quero que me ajude a hospedá-los em seu lar".

Armado e com a barba comprida, o homem estava acompanhado de duas mulheres, que não cobriam o rosto, e vários meninos. Todos pertenciam ao grupo terrorista.

Un Ali afirmou que se surpreendeu com o pedido deste combatente, já que "o EI não pede permissão para entrar nas casas", uma vez que as ocupam diretamente e expulsam as famílias.

A moradora relatou que viu "a humilhação em seu rosto e no de sua família" e que, apesar disso, lhes respondeu que não havia espaço suficiente em sua casa.

Diante da recusa, e para surpresa de Un Ali, o homem deu a volta e foi embora em silêncio.

No entanto, Muaid Hazem, um morador do bairro 17 Taimuz, que também está sob o jugo dos jihadistas, declarou à Efe que os homens do EI continuam cometendo crimes, e lembrou o assassinato em seu bairro de quatro jovens que os terroristas acusaram de cooperar com as forças iraquianas e de repassar informação à coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.

Por sua vez, o chefe do Comitê de Segurança da província de Ninawa - cuja capital é Mossul -, Ibrahim al Bayati, declarou à Efe que a grande maioria dos extremistas e de seus parentes já está registrada, e que tem suas fotos para detectar aqueles que tentam fugir e se infiltrar entre os civis deslocados.

A Inteligência iraquiana, acrescentou Bayati, descobriu que um grande número de famílias dos terroristas ocupou casas de iraquianos que estão cercados em Mossul, após se verem encurralados pelas unidades militares.

Em um tom otimista, ele disse que as forças iraquianas já controlaram e isolaram a maioria dos bairros residenciais da parte ocidental da cidade.

Por essa razão, segundo Bayati, os integrantes do EI têm agora apenas duas saídas: a retirada ou a morte.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos