Macron inicia mandato com União Europeia como eixo central de sua política

Ángel Calvo

Paris, 14 mai (EFE).- Emmanuel Macron assumiu neste domingo a presidência de França com a vontade de relançar a construção de uma Europa forte que ofereça proteção perante os riscos da globalização e que apresentou como o eixo de sua política para garantir que o país continue sendo uma das grandes potências mundiais.

Macron fez da União Europeia em seu discurso inaugural uma das prioridades de seu mandato, como já havia dito durante a disputa que manteve na campanha eleitoral com a líder ultradireitista, Marine Le Pen.

O novo presidente prometeu que a Europa "será fundada e relançada" porque "nos protege e nos permite projetar no mundo nossos valores".

Macron terá uma primeira chance para demonstrar sua vontade na viagem inaugural ao exterior, que será realizada amanhã pela tarde, para se encontrar em Berlim com a chanceler alemã, Angela Merkel.

A boa relação franco-alemão será uma condição de partida para sua ideia de alcançar "uma Europa mais eficaz, mais democrática, mais política", que constitui "um instrumento da potência e da soberania" da França.

Macron, que também tem previsto jantar na quarta-feira com o presidente do conselho italiano, Paolo Gentiloni, insistiu que "o mundo e a Europa necessitam mais do que nunca da França, uma França forte que leve a voz da liberdade e da solidariedade, de uma França que sabe inventar o futuro".

O novo líder disse que na política internacional sua prioridade será "estar sempre ao lado da liberdade e dos direitos humanos" para "construir a paz de forma duradoura".

Seu discurso europeísta faz parte de sua estratégia para devolver a confiança a uma França que, segundo seu próprio diagnóstico, há décadas duvida de si mesma. Por isso, uma de suas ideias é mudar esse estado de ânimo e convencer os franceses de que o país "tem em sua mão todas as cartas (...) das grandes potências do século XXI".

Macron avisou que não cederá "em nada" de seu programa, começando pela reforma para flexibilizar o mercado trabalhista, que quer adotar neste ano por decreto. Mas em paralelo, disse que "fortalecerá a solidariedade nacional" para atender os que "se sentem esquecidos" e perdedores da globalização.

Pela tarde, durante uma recepção na Câmara municipal oferecida pela prefeita, a socialista Anne Hidalgo, Macron indicou que "no centro "de seu mandato estará a vontade de acabar com as lacunas que há em França, com o objetivo de que "a globalização beneficie a todos".

Macron considerou que o desafio é impedir que "nosso país se desfaça" e para isso é preciso "divulgar o sucesso, alargar o campo das possibilidades", porque é consciente dos "problemas" do país desde o ponto de vista territorial e social.

A transferência de poderes de Hollande para Macron foi realizada neste domingo no Palácio do Elísio com uma reunião de uma hora entre os dois presidentes.

Pela tarde, antes de comparecer à Câmara Municipal de Paris, quis visitar o hospital militar de Percy para ver os soldados feridos em um gesto em direção das tropas que cumprem missões no exterior, mas também de proteção antiterrorista no território francês.

Macron deve anunciar - provavelmente amanhã - seu novo primeiro-ministro para a formação do Governo na terça-feira, de forma que na quarta-feira possa realizar o primeiro Conselho de Ministros.

Essa nomeação é um exercício particularmente delicado para alguém que revolucionou a paisagem política francesa como ele, que não tem um partido político com presença nas instituições, e que para poder pôr em prática a política que prometeu necessita conseguir uma maioria parlamentar nas eleições legislativas de junho.

Circularam vários nomes como possível primeiro-ministro, mas o que mais soou é o deputado dos Republicanos e prefeito da cidade de Le Havre, Edouard Philippe, algo que seria interpretado como uma tentativa de captar o eleitorado conservador.

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