Milhares de russos protestam contra plano de Putin de renovação de moradia

Moscou, 14 mai (EFE).- Milhares de moscovitas protestaram neste domingo contra o ambicioso plano de renovação de moradia ordenado pelo presidente russo, Vladimir Putin, e que contempla a demolição de milhares de edifícios de cinco andares da época soviética.

"Contra a renovação, contra a deportação", "Não à demolição", "Minha casa é minha fortaleza" e "Defendemos a propriedade privada", foram alguns dos cartazes desdobrados pelos manifestantes na capital russa.

Alguns dos manifestantes levavam cartazes nos quais declaravam amor às moradias pré-fabricadas de cinco andares, já que foram em sua maioria construída em tempos do líder soviético, Nikita Khrushchov, para fazer frente ao boom "demográfico da pós-guerra".

Outros levavam cartazes com o endereço exato de seus edifícios, cuja demolição dependerá de uma votação que começará amanhã em toda Moscou e que necessita do apoio de 2/3 dos inquilinos para sua demolição.

A polícia cifrou os manifestantes que compareceram à convocação em cerca de 8 mil, embora a Câmara municipal moscovita somente tinha dado permissão para 5 mil, enquanto jornalistas calcularam 20 mil participantes, e os organizadores, até 30 mil. Toda ação transcorreu de maneira pacífica.

Putin, que propôs o plano em fevereiro, já teve que recuar uma vez, devolver a lei à Duma e convocar votações nos edifícios afetados para decidir sobre as demolições.

Mais de vinte milhões de russos ainda vivem nessas casas - um milhão e meio em Moscou -, que no momento certo significaram uma notável melhoria em relação com os barracos de madeira, porões úmidos e "komunalki" - apartamentos comunitários - nos que vivia a maioria dos cidadãos soviéticos.

Nessas moradias pré-fabricadas, os apartamentos têm cerca de 50 metros quadrados, a cozinha e o banheiro são minúsculos, e as paredes são de papel pedra, que tremem com a passagem dos caminhões e carecem de elevador. Elas são conhecidas popularmente como "geladeiras".

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