Motim de ex-combatentes na Costa do Marfim deixa ao menos 20 civis feridos

Bouaké (Costa do Marfim), 14 mai (EFE).- Pelo menos 20 pessoas ficaram feridas neste domingo, seis delas por disparos de arma de fogo, em uma manifestação civil contra a ação organizada por ex-combatentes descontentes com o governo da Costa do Marfim pela falta de pagamento de prêmios que lhes são devidos desde o final da guerra civil e que continuam amotinados em Bouaké.

Uma mulher e cinco homens foram atingidos por disparos e transferidos ao Hospital da Universidade de Bouaké, a segunda cidade mais importante da Costa do Marfim, quando participavam de uma manifestação civil contra os ex-combatentes, na qual os soldados lançaram bombas de gás lacrimogêneo.

Neste domingo, os militares aumentaram os disparos para o alto, enquanto continuam mantendo as ruas interditadas e as patrulhas incrementaram sua presença na cidade.

Várias testemunhas disseram à Agência Efe que muitos veículos de transporte de mercadorias, bem como de uso pessoal, estão retidos nas ruas de Bouaké e que os ex-combatentes continuam bloqueando o acesso à estrada principal de Abidjan.

O governo afirmou neste fim de semana que não negociará com os ex-combatentes, que provocaram desde a última sexta-feira grandes distúrbios em várias cidades do país.

Os militares amotinados bloquearam ontem os quatro acessos a Bouaké, ergueram barricadas nas ruas, interromperam o trânsito e dispararam para o alto, enquanto os estabelecimentos comerciais permaneceram fechados e vários veículos foram saqueados em mais um dia de tensão.

Bouaké, local de origem do motim, é a antiga capital da rebelião contra o ex-presidente Laurent Gbagbo que controlou a metade norte do país até 2011 e apoiou o atual governante, Alessane Ouattara.

Em janeiro, mês em que a tensão no país aumentou consideravelmente, os militares e o Executivo chegaram a um acordo para saldar essa dívida pendente desde 2011.

Os amotinados tinham exigido 12 milhões de francos marfinenses (cerca de 18 mil euros) para cada um, e o governo procedeu com o pagamento de uma parte e prometeu o restante a partir de maio.

No entanto, ambas as partes chegaram a um novo pacto na última quinta-feira, que aparentemente só foi aceito por alguns dos ex-combatentes, pelo qual os rebeldes se desculpavam e renunciavam ao restante de sua demanda.

Os soldados estão se manifestando desde a sexta-feira principalmente nas cidades de Bouaké, Korhogo e Daloam, onde reivindicam não reconhecer o novo acordo e exigem o restante do pagamento dos prêmios devidos.

Os protestos remontam à novembro de 2014 e, em sua origem, se encontram antigos elementos rebeldes, integrados nas forças de segurança nacional após o acordo de paz de Ouagadougou, assinado em Burkina Fasso em 2007.

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