Candidatos a presidente do Irã se comprometem com manutenção de pacto nuclear

Marina Villén.

Teerã, 15 mai (EFE).- O Ocidente pode respirar tranquilo porque nenhum dos candidatos à presidência do Irã planeja romper o acordo nuclear, embora os conservadores tenham uma postura menos favorável ao pacto e à abertura internacional de Teerã.

O pacto nuclear, o grande marco da presidência de Hassan Rohani, foi assinado em julho de 2015 com seis grandes potências e estipula uma limitação das atividades atômicas do Irã em troca da suspensão das sanções internacionais.

Rohani, que tentará a reeleição em 19 de maio, repetiu em diversas ocasiões que o acordo é "uma conquista nacional", que beneficiou o país e neutralizou a "iranofobia".

Entre os benefícios, destacou o aumento da produção petrolífera e dos investimentos neste setor, a aquisição de novos aviões de fabricantes como a Airbus e o aumento do investimento estrangeiro e das exportações.

Embora tenha admitido que o acordo tem alguns problemas, Rohani salientou durante a campanha que é a melhor ferramenta para manter boas relações com a comunidade internacional, conservar o direito nuclear do Irã e eliminar as sanções.

Os conservadores, céticos sobre o denominado Plano Integral de Ação Conjunta (JCPOA na sigla em inglês), minimizam seus resultados e destacam seus defeitos, mas não defendem sua ruptura, já que conta com a aprovação do líder Supremo do Irã, Ali Khamenei.

Um dos principais candidatos presidenciais conservadores, o clérigo Ebrahim Raisi, criticou no segundo debate televisionado que o Grupo 5+1 (integrado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha) não cumpriu com seus compromissos.

Isto se deve, em sua opinião, à debilidade mostrada por Rohani. "Este governo recebeu um cheque, mas não pode cobrá-lo e não tem influência para cobrá-lo", disse.

Já o prefeito de Teerã, Mohammad Bagher Ghalibaf, indicou que qualquer governo "defenderá o acordo" porque os problemas não radicam no mesmo, senão em sua execução, que não beneficiou a população.

Segundo Ghalibaf, as negociações do JCPOA foram principalmente de caráter político e legal e carecem dos adequados mecanismos financeiros sobre a suspensão das sanções.

Uma recente pesquisa da empresa de consultoria independente IranPoll mostrou que 72% dos indagados considerava que a situação econômica não tinha melhorado com o acordo.

Consciente do debate e da possível preocupação do Ocidente, o próprio responsável da Agência Iraniana da Energia Atômica (AIEA), Ali Akbar Salehi, declarou no final de abril que seu país manterá seus compromissos com o acordo nuclear "independentemente do resultado das eleições".

"Sem se importar com qual governo assumirá as responsabilidades, seja deste ou do outro lado, (o Irã) manterá o compromisso do JCPOA", declarou Salehi após se reunir em Teerã com o comissário europeu de Energia e Ação Climática, Miguel Arias Cañete.

Mais preocupante é o enfoque dos diferentes candidatos sobre as relações internacionais, já que o próprio líder supremo pediu recentemente que não dependam da ajuda estrangeira para solucionar os problemas internos.

Ali Khamenei, em uma crítica feita a Rohani, pediu aos candidatos à presidência que se comprometam a "olhar para a própria nação e não olhar para além das fronteiras para alcançar o avanço dos assuntos do país e seu desenvolvimento econômico".

Embora os conservadores também advoguem por manter boas relações com o Ocidente, os diplomatas destacados em Teerã temem que sua retórica fique mais hostil.

É bastante provável que o atual fluxo de delegações econômicas europeias ao Irã seja freado ou retardado, e que as relações diplomáticas se tornem mais difíceis, segundo estas fontes consultadas pela Agência Efe.

A manutenção do JCPOA por parte do Irã não está colocada em dúvida, mas a presença dos conservadores no poder também despertou incerteza sobre a reação de Teerã a eventuais medidas de pressão dos Estados Unidos.

Com a chegada de Donald Trump à presidência americana a corda se esticou, por conta da decisão de Washington de revisar o acordo e de decretar novas sanções bilaterais contra Teerã.

No meio dos tradicionais inimigos está a União Europeia, cuja chefe da diplomacia, Federica Mogherini, elogiou nesta semana o pacto nuclear e deixou claro que vai continuar defendendo o mesmo. EFE

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