Ghalibaf, um controverso prefeito e ex-militar de mensagem populista

Marina Villén.

Teerã, 15 mai (EFE).- O prefeito de Teerã e ex-comandante dos Guardiões da Revolução, o conservador Mohammad Bagher Ghalibaf, é um veterano das eleições presidenciais não isento de polêmica que se apresenta nesta ocasião como paladino do povo.

Com uma mensagem populista e uma dialética direta, e por vezes agressiva, Ghalibaf lança com sua candidatura às eleições do próximo dia 19 de maio sua terceira campanha à presidência de Irã, após as tentativas de 2005 e 2013.

Um homem de ação e ambicioso, de 55 anos, que busca agora atrair o voto "do 96%" da população, em oposição aos "4% de ricos" que, segundo denuncia, representam o atual presidente e seu rival nas eleições, Hassan Rohani.

Sua principal lema de campanha é a criação de emprego e seu símbolo eleitoral é o relógio porque, segundo afirmou, aumentará a atividade econômica do país em um curto prazo de tempo.

Nascido em agosto de 1961 em Torgabeh, perto da cidade santa de Mashad e no seio de uma família de classe média e religiosa, logo abandonou seus estudos para concentrar-se na carreira militar.

Foi oficial dos corpos de segurança do Estado e em 1980 lhe destinaram à frente de batalha na guerra entre o Irã e seu vizinho Iraque, durante a qual desempenhou postos de comando e obteve importantes condecorações.

Após o conflito, finalizou seus estudos universitários em Geografia Política, especialidade na qual fez um doutorado em 2001 e da qual foi docente na Universidade de Teerã.

Ghalibaf ocupou, além disso, diversos cargos nos Guardiões da Revolução, corpo especial de Defesa da República Islâmica, e foi vice-comandante da milícia de voluntários islâmicos Basij.

Em 1994 foi designado comandante da destacada base aérea de Teerã Jatam al Anbiya e, em 1997, comandante da força aérea dos Guardiões da Revolução por ordem do líder supremo, Ali Khamenei.

Sua carreira nos órgãos de segurança deu um novo giro ao ser nomeado no ano 2000 como chefe da polícia, cargo no qual fez uma série de campanhas repressivas contra os reformistas.

Foram efetuadas em 2002 numerosas detenções de pessoas relacionadas com a cultura e os meios de comunicação, apesar dos protestos do governo reformista de Mohamad Khatami, e um ano depois freou as manifestações contra a falta de liberdades.

Este é um dos pontos explorados por seu rival nestas eleições, o moderado Rohani, que em um discurso durante a campanha assegurou que os iranianos não votarão naqueles que "só sabem executar e encarcerar".

Rohani já foi seu algoz nas eleições presidenciais de 2013, nas quais ficou em segundo lugar, enquanto que nas de 2005 foi derrotado pelo ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad.

Seu salto à cena política em 2005 foi criticado por representar a entrada do exército no processo eleitoral, apesar de Ghalibaf ter abandonado antes todo cargo na hierarquia militar, e também por amedrontar os partidários de seus rivais com a cumplicidade das forças de segurança.

Ao fracassar em suas aspirações à presidência, se centrou na prefeitura de Teerã, posto no qual em 2005 substituiu Ahmadinejad.

Como prefeito, em 2008 foi considerado como o oitavo melhor do mundo pela Fundação City Mayors e, em 2011, recebeu um prêmio Metrópole pela melhoria da qualidade de vida dos cidadãos de Teerã.

Seu desempenho à frente da capital iraniana é um de seus principais triunfos, embora várias de suas atuações estejam também envoltas em controvérsia.

Um dos incidentes mais recentes foi o incêndio e queda neste ano do emblemático edifício comercial Plasco, no centro de Teerã, que deixou 20 mortos e lhe subtraiu popularidade.

Ghalibaf destacou, no entanto, seu trabalho na prefeitura e prometeu criar cinco milhões de postos de trabalho e acabar com a corrupção, em uma estratégia para ganhar o apoio daqueles desencantados com os lentos progressos econômicos de Rohani.

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