ONU diz que ainda acredita em compromisso da Síria com processo em Genebra

Genebra, 15 mai (EFE). - O enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para Síria, Staffan de Mistura, disse nesta segunda-feira ter confiança no compromisso do regime sírio com o processo político se desenvolve em Genebra para buscar um acordo de paz com a oposição, em resposta às declarações no sentido contrário dadas pelo presidente, Bashar al-Assad.

"Não quero fazer comentários a respeito das declarações feitas pelo presidente Assad. O que posso dizer é que sua delegação chegou (a Genebra) e tem a autoridade para ter conversas sérias", afirmou Mistura, em uma coletiva de imprensa na véspera do início da sexta rodada de negociações de paz.

Ao ser perguntado pelas afirmações que Assad fez em entrevista à emissora bielo-russa "ONT TV" e na qual disse que "não há nada de substancial nas reuniões de Genebra" e que são encontros "puramente para a imprensa", o diplomata respondeu que a delegação estava em lá "para trabalhar".

"Por que o presidente Assad enviaria a Genebra para várias rondadas uma delegação de 15 ou 18 pessoas encabeçadas por um embaixador altamente experiente, como é o embaixador sírio perante a ONU, Bashar Jaafari, para abordar questões do processo político se não estivesse interessado e potencialmente envolvido no diálogo de paz", rebateu Mistura.

O mediador adjunto das Nações Unidas, Ramzy Ezzeldin Ramzy, que acaba de voltar de uma viagem a Damasco, explicou que o regime confirmou as quatro temáticas da agenda disse que é possível progredir mais em uns do que em outros.

Os quatro pilares são: a criação de um governo crível, inclusivo e não sectário; um calendário e processo para a elaboração de uma nova Constituição; eleições livres e justas supervisionadas pela ONU; e a governança de segurança, o combate ao terrorista e medidas de criação de confiança.

"O que escutei em Damasco é que eles abordarão de maneira construtiva qualquer proposta que façamos e não tenho nenhum motivo para duvidar disso. O veremos representado quando nos reunirmos com o governo amanhã. Estão envolvidos no processo de Genebra e nos disseram que querem trabalhar conosco no processo político", acrescentou Ramzy.

Mistura explicou que "todos" os convidados estarão na sexta rodada de negociações, ou seja o governo e as oposições política e militar que já participaram dos encontros anteriores. O objetivo desta nova rodada, que começará amanhã e terminará sexta-feira ou sábado, dependendo dos avanços, é entrar em um diálogo mais "pragmático", mas ainda indireto com as partes e retomar o diálogo após a pausa do início do Ramadã.

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