Raisi, um clérigo e jurista ultraconservador que pretende ser líder supremo

Artemis Razmipour.

Teerã, 15 mai (EFE).- Ebrahim Raisi, um clérigo ultraconservador próximo ao líder supremo iraniano, Ali Khamenei, fez seu salto à política com sua candidatura às eleições presidenciais após uma longa carreira no Judiciário e em órgãos de controle.

Desde a vitória da Revolução Islâmica em 1979 sempre ostentou altos cargos, em sua maioria de supervisão do cumprimento das normativas do sistema, e é uma das figuras com maiores chances de suceder Khamenei.

Sua participação nas eleições presidenciais de 19 de maio surpreendeu muitos no Irã, já que uma derrota poderia minar suas chances de ser líder supremo, mas também lhe vale uma exposição pública da qual carecia e com a qual tem se apresentado como uma espécie de salvador do povo.

Com o lema "Trabalho e dignidade, mudanças a favor do povo", Raisi promete melhorar a economia e elevar e distribuir melhor os subsídios, já que, segundo diz, ele não somente ouviu a "dor da pobreza", mas "também a sentiu", por crescer órfão de pai desde os cinco anos.

Nasceu em 14 de dezembro de 1960 em Noghan, um distrito da cidade santa de Mashad, em uma família religiosa descendente do imã Hussein na qual seu pai e seu avô materno eram clérigos.

Até os 15 anos, ele viveu em Mashad e estudou nas escolas religiosas da cidade, mas com essa idade se mudou para Qom para continuar sua formação no seminário.

Aluno do líder supremo no seminário, Raisi estendeu mais tarde seus estudos com um mestrado em Direito Privado e com um doutorado em Jurisprudência e Direito Privado.

Durante a primeira metade da década de 1980, ele foi procurador da cidade de Karaj e posteriormente ocupou esse posto na província de Hamedan, até que no ano 1985 foi nomeado substituto do procurador de Teerã. Dessa época data um dos pontos mais obscuros de sua carreira: ter feito parte do comitê de quatro membros que supervisionou as execuções de presos políticos de 1988.

Em 1989, Raisi foi designado procurador de Teerã, cargo no qual se manteve durante cinco anos, e em 1994 foi nomeado chefe da Organização Geral de Inspeção, onde trabalhou durante dez anos.

Sua meteórica carreira lhe levou a ser primeiro adjunto do Poder Judicial entre 2004 e 2014 e, em seguida, procurador-geral do país por um ano.

Além disso, desde 2011 e até a atualidade, trabalha como procurador-geral especial para o clero, cargo ao qual chegou por ordem direta do líder supremo.

Khamenei o escolheu também em 7 de março de 2016 como custódio da importante fundação Astan Quds Razavi, do mausoléu do imame Reza de Mashad, que gerencia um grande patrimônio.

Esta posição foi um grande trampolim para sua carreira e sua trajetória futura para o cargo de líder supremo, a máxima autoridade espiritual e política da República Islâmica eleita pela Assembleia de Especialistas, da qual Raisi é membro.

O clérigo foi, além disso, responsável pela organização encarregada de supervisionar o cumprimento pela população dos princípios islâmicos e chefe do conselho de controle da televisão.

Sua atuação nestes cargos faz temer um aumento das restrições às liberdades pessoais e no âmbito cultural no Irã caso Raisi, receoso da influência de Ocidente, chegue à presidência.

A isto se soma o fato de que é genro do clérigo ultraconservador Ahmad Alamolhoda, responsável pelo sermão da sexta-feira em Mashad e grande crítico dos shows, que proibiu em sua cidade alegando que não era lugar para "orgia" nem para escutar música ao vivo.

Neste sentido, Raisi, que optou pela bandeira da República Islâmica do Irã como seu símbolo, disse durante a campanha que "ninguém no país aceita os shows que rompem as normativas".

"Os shows são o problema do país? Os desempregados e o pobre não rirão de nós?", comentou o candidato ultraconservador para indicar que, se há pobreza, não há por que falar destes assuntos.

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