Rohani, o clérigo moderado próximo ao Ocidente que promete liberdade

Marina Villén.

Teerã, 15 mai (EFE).- O presidente do Irã, Hassan Rohani, é um clérigo moderado que conseguiu tirar o país do isolamento internacional, uma de suas bases junto com a promessa de conceder mais liberdades, com as quais tenta agora a reeleição.

No poder há quatro anos graças ao consenso dos reformistas em torno de sua figura, embora ele tente se manter à margem das principais correntes políticas, Rohani parte agora como favorito para as eleições do dia 19 de maio, mas enfrentará rivais de peso.

Apesar do aspecto sereno, o atual presidente não hesitou ao abrir mão do caráter para contra-atacar os adversários na corrida presidencial, defender sua gestão e ressaltar os riscos do regresso devido a uma maior rigidez dos princípios islâmicos em caso de vitória dos conservadores.

Rohani declarou durante a campanha que os iranianos devem escolher entre um governo totalitário e um que promove as liberdades: "Nossos jovens escolheram o caminho da liberdade", disse em um de seus atos.

Esta estratégia corre em paralelo à ênfase dada aos progressos econômicos frutos da principal conquista de seu primeiro mandato: o acordo nuclear assinado em julho de 2015 com o G5+1 (China, EUA, França, Reino Unido e Rússia mais Alemanha), que suspendeu as sanções contra o país mediante uma limitação do programa atômico.

Figura mais importante da política iraniana desde a Revolução Islâmica de 1979, Rohani nasceu em novembro de 1948 na cidade de Sorkheh, onde aos 13 anos ingressou em um centro religioso.

Os estudos islâmicos foram continuados em famosos seminários xiitas da cidade de Qom e, a partir de 1969, conciliados com o curso de Direito na Universidade de Teerã, concluído em 1972.

Seguidor desde jovem do aiatolá Ruhollah Khomeini, Rohani percorreu o Irã para fazer campanha contra o xá Mohammad Reza Pahlavi, até que em 1977 foi obrigado a fugir após reconhecer em um discurso com o título de imã - máxima autoridade no islã xiita - quem dois anos depois fundou a República Islâmica.

Rohani se refugiou no Reino Unido, onde concluiu um mestrado em Direito Constitucional na Universidade Caledônia de Glasgow, onde também fez doutorado com uma tese intitulada "A flexibilidade da sharia, a lei islâmica".

Após sua volta ao Irã, que coincidiu com a de Khomeini, no início de 1979, ocupou diversos cargos militares e políticos na recém-instaurada República Islâmica.

Foi deputado de 1980 até o ano 2000, e posteriormente membro da Assembleia de Especialistas e do Conselho do Discernimento, postos nos quais continua atualmente, e presidente do Centro de Estudos Estratégicos do Irã.

No âmbito militar, durante a guerra com o Iraque (1980-1988) ficou por seis anos no Conselho Superior de Defesa, do qual comandou a Defesa Aérea do Irã.

Entre 1989 e 2005, ocupou a secretaria do Conselho Supremo de Segurança Nacional, que o aproximou ao líder supremo, Ali Khamenei, nome que não parece contrário a Rohani, mas que na atual campanha eleitoral criticou sua gestão.

A partir de 2003, após a revelação de instalações nucleares não declarada previamente ao Organismo Internacional de Energia Atômica (OIEA), Rohani dirigiu as negociações sobre o programa nuclear iraniano e conseguiu acalmar a tensão com algumas concessões.

Com a surpreendente vitória eleitoral em 2013, no primeiro turno e com 50,68% dos votos graças ao apoio decisivo dos ex-presidentes reformistas Akbar Hashemi Rafsanjani e Mohammad Khatami, prometeu uma abertura para Ocidente para impulsionar a economia.

No entanto, a economia não conseguiu decolar e no plano dos direitos humanos e liberdades os avanços também não foram muito notáveis por conta da oposição da ala rígida do sistema, continuando com os principais líderes reformistas dos protestos de 2009 em prisão domiciliar.

Rohani se compromete a agir de acordo com sua Carta de Direitos Civis em seu segundo mandato para convencer os reformistas indecisos, tarefa para a qual volta a contar com o apoio de Khatami, mas não mais com o do mentor Rafsanyani, morto em janeiro.

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