Acordo entre militares e governo põe fim ao motim na Costa do Marfim

Abidjan, 16 mai (EFE). - Os militares e o governo da Costa do Marfim chegaram a um acordo nesta terça-feira para o bônus de pagamento aos soldados, acabando com o motim feito em várias cidades do país na sexta-feira passada.

O ministro da Defesa da Costa do Marfim, Alain Richard Donwahi, disse que o pacto foi alcançado com os ex-rebeldes que ajudaram o governo a ganhar a guerra civil e que foram posteriormente integrados ao Exército, por isso mereciam parte do salário estipulado por sua intervenção no conflito de 2011.

Após o anúncio, o ministro exigiu que os militares liberassem as cidades ocupadas e retornassem aos seus postos, o que ainda não tinha sido feito até esta manhã. Nas cidades mais afetadas (Baouké e Abiyán, entre elas), unidades da Administração Pública, grandes lojas e bancos ficaram fechados hoje e apenas pequenos comércio abriram as portas.

O motim começou quando uma parte dos 8.400 ex-combatentes bloqueou o acesso a Bouaké, a segunda maior cidade do país, onde 20 pessoas ficaram feridas, barricadas foram levantadas e tiros foram dados a esmo, além de veículos terem sido saqueados.

Os protestos se estenderam rapidamente à capital econômica, Abidjan, e depois a Korhogo (norte), Man (oeste), Bondoukou (nordeste) e Daloa (centro), onde os soldados mantiveram o movimento até ontem. Bouaké é a antiga capital da rebelião contra o ex-presidente Laurent Gbagbo que acabou apoiando o atual governante, Alassane Ouattara.

Em janeiro, quando ocorreu uma grande tensão, os militares e o governo chegaram a um acordo para saldar a dívida pendente desde 2011. Os amotinados exigiam 12 milhões de francos CFA (R$ 61.601) para cada um e o governo fez o pagamento de 5 milhões e prometeu o restante para maio.

Na quinta-feira passada, representantes dos ex-rebeldes anunciaram um novo acordo, pediram desculpas e renunciaram ao resto da demanda, o que provocou um novo levante entre os que não concordavam.

Os protestos remontam a novembro de 2014 e na sua origem estão antigos soldados rebeldes, integrados na força de segurança nacional após o acordo de paz de Uagadugu, de 2007.

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