Brasil reforçará pressão sobre Venezuela com parlamentos de outros países

Eduardo Davis.

Brasília, 16 mai (EFE).- Deputados de uma dúzia de países, junto a uma representação do parlamento europeu, se reunirão em Brasília para reforçar a "pressão internacional" por uma "saída pacífica" à crise venezuelana, disse nesta terça-feira à Agência Efe o deputado federal Rubens Bueno (PPS-PR).

"A manifestação dos parlamentos se unirá à preocupação já manifestada pela Organização dos Estados Americanos (OEA), pelas Nações Unidas e outros países e organismos internacionais", declarou Bueno, coordenador da reunião prevista para o próximo dia 23.

Bueno informou que, até agora, confirmaram presença as delegações do próprio Brasil, Argentina, Peru, México, Colômbia, Chile, Guiana, Estados Unidos, Espanha, Itália, Portugal, do parlamento europeu e da Venezuela, que estará representada pelo presidente da Assembleia Nacional, o opositor Julio Borges.

Segundo Bueno, esta iniciativa nasceu precisamente durante uma visita que Borges fez à Brasília em fevereiro, quando "a situação na Venezuela já era crítica", embora não tivesse alcançado o atual grau de agitação.

Desde o último dia 4 de abril, a Venezuela é palco de protestos diários, que ainda não cessaram e até agora deixaram pelo menos 42 mortos, centenas de feridos e milhares de detidos.

Essa situação foi exposta na semana passada no Congresso brasileiro pela venezuelana Lilian Tintori, esposa do opositor Leopoldo López, encarcerado em uma prisão militar desde o início de 2014, e que também foi convidada para encontro parlamentar da próxima semana.

Na opinião de Bueno, existem elementos "claros" que indicam que a Venezuela se afastou "do caminho democrático" e os parlamentos têm o "dever de manifestar-se e somar-se à pressão internacional" a favor de "eleições gerais" no país.

O deputado do PPS afirmou também que o presidente Nicolás Maduro desconheceu "o resultado das últimas eleições", realizadas em 2015 e nas quais a oposição atingiu a maioria das cadeiras de uma Assembleia Nacional cujas decisões "não são acatadas" pelo governo.

"Desconhecem a autoridade da Assembleia, também suspenderam as eleições para governadores (que deveriam ter acontecido em 2016) e ainda não fixaram a data para as eleições de prefeitos", previstas para este ano, completou Bueno.

O deputado declarou ainda que "um governo que mantém presos políticos não pode ser considerado democrático" e que a aguda crise econômica e social começou a trespassar as própias fronteiras da Venezuela, com "milhares de pessoas que fogem e buscam uma vida em liberdade na Colômbia, Brasil ou muitos outros países".

Segundo Bueno, a Venezuela "tocou o fundo do poço no social, no econômico e no político" e a "única solução" é a convocação de eleições "gerais, livres e democráticas", nas quais "o povo venezuelano possa expressar-se".

Também sustentou que, antes dessas eleições, "é necessário que haja uma anistia geral" e que sejam libertados "todos aqueles que permanecem na prisão por razões políticas", pois de outro modo "não se poderia falar de eleições realmente livres".

O parlamentar, membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, disse ainda que a Conferência de Solidariedade com a Venezuela que acontecerá em Brasília pretende "dar mais voz ao que a sociedade venezuelana está exigindo".

Na sua opinião, "o povo venezuelano está nas ruas todos os dias e arrisca sua vida frente a uma repressão brutal para dizer que se cansou, que perdeu o medo e que não vai afrouxar até que mude essa situação" e "recupere sua liberdade e a democracia".

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